E disse-lhes JESUS:
"Ide a todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura" (Mc 16,15)
Em Mateus, capítulo 18 versículo 20:
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“Porque,
onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles. “
INSTITUTO é
uma organização permanente
criada com propósitos definidos. Em geral trata-se de uma organização voltada
para pesquisa científica
em tópicos bem determinados ou para fins filantrópicos.
TEOLOGIA é a ciência ou estudo que se ocupa
dos assuntos relacionados a Deus, de sua natureza e seus atributos e de suas
relações com o homem e com o universo. É o conjunto dos princípios de
uma religião; doutrina.
EVANGELHOS - Os evangelhos
são um gênero de literatura do cristianismo primitivo que contam a vida de Jesus, a fim de
preservar seus ensinamentos ou revelar aspectos da natureza de
Deus. O desenvolvimento do cânon do Novo Testamento deixou quatro
evangelhos canônicos, que são aceitos como os
únicos evangelhos autênticos para a maioria dos cristãos. Entretanto,
existem muitos outros evangelhos. Eles são conhecidos como apócrifos e foram
escritos geralmente depois dos quatro evangelhos canônicos. Alguns destes
evangelhos deixaram vestígios importantes na tradição cristã, incluindo a iconografia.
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“Caminho da verdade, da luz, da sabedoria, da piedade e da
salvação”
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DEUS é nosso Divino Criador
e, sendo eterno, todo poderoso, justo, onipotente, misericordioso, ente
infinito e invisível, sobrenatural e existente por si só, é também causa
necessária e fim último de tudo que existe. DEUS é completa
perfeição, soberania, único, eterno, imutável, incontestável, inquestionável,
palavra, poder, pureza, verdade, imaculado, Criador, oniciente,
onipresente, oniparente.
Qual é a importância do nome de Deus? Considere a oração-modelo, ensinada por Jesus Cristo. Ela começa assim:
“Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.” (Mateus 6:9) Mais tarde, Jesus orou a Deus: “Pai, glorifica
o teu nome.” Em resposta, Deus falou do céu: “Eu já o glorifiquei e o glorificarei
de novo.” (João 12:28) Obviamente, o nome de Deus é de máxima
importância. Por que, então, alguns tradutores omitiram esse nome de suas
traduções da Bíblia e o substituíram por títulos?
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Parece haver duas razões principais. A primeira é que muitos dizem que o
nome não deve ser usado porque sua pronúncia original é desconhecida hoje em
dia. O hebraico antigo era escrito sem vogais. Assim, ninguém hoje pode dizer
com certeza como as pessoas nos tempos bíblicos pronunciavam o nome YHWH. Mas
será que isso deve nos impedir de usar o nome de Deus? Nos tempos bíblicos, o
nome Jesus talvez fosse pronunciado Yeshua ou,
possivelmente, Yehoshua — ninguém sabe ao certo. No entanto, pessoas no
mundo inteiro usam diferentes formas do nome Jesus, pronunciando-o do modo
costumeiro no seu idioma. Elas não deixam de usar o nome só porque não sabem
como ele era pronunciado no primeiro século. De modo similar, se você viajar
para outro país, é bem provável que descubra que seu próprio nome soa um tanto
diferente em outro idioma. Portanto, não saber ao certo como o nome de Deus era
pronunciado na antiguidade não é motivo para não usá-lo.
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Uma segunda razão muitas vezes apresentada para omitir o nome de Deus na
Bíblia envolve uma antiga tradição dos judeus. Muitos deles acreditam que o
nome de Deus jamais deva ser pronunciado. Essa crença evidentemente se baseia
numa aplicação equivocada da lei bíblica que diz: “Não use o nome de Jeová, seu
Deus, em vão, pois Jeová não deixará impune aquele que usar Seu nome em vão.”
— Êxodo 20:7.
Essa lei proíbe o uso errado do nome de Deus. Mas será que proíbe o uso
respeitoso de seu nome? De modo algum. Todos os escritores da Bíblia Hebraica
(o “Velho Testamento”) eram homens fiéis que obedeciam à Lei que Deus havia
dado aos antigos israelitas. E eles usavam com frequência o nome de Deus. Por
exemplo, eles o incluíram em muitos salmos que eram cantados por multidões de
adoradores. Jeová até mesmo instruiu seus adoradores a invocar Seu nome, e os
fiéis obedeciam. (Joel 2:32; Atos 2:21) Portanto, os cristãos hoje não deixam de usar
respeitosamente o nome de Deus, como Jesus com certeza usou. — João 17:26.
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“DEUS É ETERNO AMOR”
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Ao substituírem o nome de Deus por títulos, os tradutores da Bíblia cometem
um erro grave. Eles fazem com que Deus pareça distante e impessoal, ao passo
que a Bíblia exorta os humanos a cultivar “amizade íntima com Jeová”. (Salmo 25:14) Pense num amigo seu bem achegado. Será que
vocês seriam realmente bem achegados se você nem soubesse o nome dele? Da mesma
forma, se as pessoas não sabem o nome de Deus, Jeová, como podem realmente se
achegar a ele? Além disso, se não usam o nome de Deus, elas ficam também sem
saber seu maravilhoso significado. O que significa o nome divino?
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O próprio Deus explicou o significado de seu nome ao seu fiel servo Moisés.
Quando este perguntou a respeito do nome de Deus, Jeová respondeu: “Eu Me
Tornarei O Que Eu Decidir Me Tornar.” (Êxodo 3:14) A tradução de Rotherham (em inglês) traduz
assim essas palavras: “Eu Me Tornarei o que quer que seja do meu
agrado.” Assim, Jeová pode tornar-se o que for necessário para cumprir
seus propósitos, e ele pode fazer com que aconteça o que for necessário com
relação à sua criação e ao cumprimento do seu propósito.
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Digamos que você pudesse se tornar o que desejasse. O que faria pelos
seus amigos? Se um deles adoecesse gravemente, você poderia tornar-se um bom
médico e curá-lo. Se outro sofresse um revés financeiro, poderia tornar-se um
rico benfeitor e socorrê-lo. Mas a verdade é que você, como todos nós, é
limitado no que pode se tornar. O estudo contínuo da Bíblia deixará você
surpreso ao ver como Jeová se torna o que for necessário para cumprir
suas promessas. E ele se agrada de usar seu poder em favor dos que o amam. (2 Crônicas
16:9) Os que não
conhecem o nome de Jeová desconhecem essas belas facetas de sua personalidade.
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É evidente que o nome Jeová faz parte da Bíblia. Conhecer seu significado e
usá-lo amplamente na nossa adoração é uma ajuda poderosa para nos achegar ao
nosso Pai celestial, Jeová.(*)
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(*) Jeová, portanto, é o nome de Deus, escrito em hebraico.
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Por que a Tradução do Novo Mundo usa
a forma “Jeová”? Em português, as quatro letras do Tetragrama (יהוה)
são representadas pelas consoantes YHWH. O Tetragrama não tinha vogais, assim
como todas as palavras escritas no hebraico antigo. Na época em que o hebraico
antigo era o idioma do dia a dia, era fácil os leitores saberem que vogais
deviam ser usadas.
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Cerca de mil anos após as Escrituras Hebraicas terem sido
completadas, eruditos judeus desenvolveram um sistema de sinais ou pontos que indicavam as vogais que deveriam ser
usadas na leitura do idioma hebraico. Mas, naquela época, muitos judeus tinham
a ideia supersticiosa de que era errado falar em voz alta o nome de Deus e por
isso pronunciavam outras expressões em seu lugar. Assim, ao copiarem o Tetragrama,
parece que eles combinavam as vogais dessas expressões com as quatro
consoantes que representam o nome divino. É por esse motivo que os manuscritos
com esses sinais vocálicos não ajudam a determinar como o nome de Deus era
originalmente pronunciado em hebraico. Alguns acham que era pronunciado “Iavé”
ou “Javé”, enquanto outros sugerem outras possibilidades. Um Rolo do Mar Morto
que contém um trecho, em grego, de Levítico translitera o nome divino como Iao.
Além dessa forma, antigos escritores gregos também sugerem a pronúncia Iae,
Iabé e Iaoué. Mas não há motivos para sermos dogmáticos.
Simplesmente não sabemos como os servos de Deus no passado pronunciavam esse
nome em hebraico. (Gênesis 13:4; Êxodo 3:15) O que sabemos é o seguinte: Deus usou seu nome
muitas vezes ao se comunicar com seus servos, eles também o usavam ao se
dirigir a ele e esse nome era usado sem restrição quando eles conversavam com
outros. — Êxodo 6:2; 1 Reis 8:23; Salmo 99:9.
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Então, por que esta tradução usa a forma “Jeová” do nome divino?
Porque essa forma tem uma longa história em português.
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A primeira Bíblia em português, a versão Almeida, empregou
milhares de vezes o nome de Deus na forma “JEHOVAH”, como pode ser visto na
edição de 1693, reimpressa em 1870. A comissão tradutora da Versão
Brasileira (1917) também decidiu usar a forma “Jehovah”, e na sua edição
de 2010 a grafia foi atualizada para “Jeová”. A nota de rodapé de Êxodo 6:3 na tradução Matos Soares (oitava edição) declara:
“O texto hebreu diz: ‘O meu nome Javé ou Jeová.’”
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Formas similares do nome divino
também são encontradas em outros idiomas. Por exemplo, a primeira ocorrência,
em inglês, do nome pessoal de Deus em uma Bíblia foi em 1530, na tradução
do Pentateuco de William Tyndale. Ele usou a forma “Iehouah”. Com o
tempo, o idioma sofreu mudanças, e a grafia do nome divino foi modernizada.
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Em sua obra Studies in the Psalms (Estudos dos Salmos),
publicada em 1911, o respeitado erudito bíblico Joseph Bryant Rotherham
usou o nome “Jehovah” em vez de “Yahweh”. Explicando o motivo,
ele disse que queria empregar uma “forma do nome que fosse mais conhecida (e
perfeitamente aceitável) aos leitores da Bíblia em geral”. Em sua obra Apostilas
aos Dicionários Portugueses, de 1906, o filólogo e lexicógrafo português
Gonçalves Viana declarou: “A forma Jeová, porém, já está tão usual, que seria
pedantismo empregar Iavé, ou Iaué, a não ser em livros de
pura filologia semítica ou de exegese bíblica.”
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O Tetragrama YHWH: “Ele faz
com que venha a ser”
O verbo HWH:
“vir a ser; tornar-se”
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O que significa o nome Jeová? O nome Jeová, em
hebraico, é derivado de um verbo que significa “vir a ser; tornar-se”. Muitos
eruditos acreditam que esse nome reflete a forma causativa desse verbo
hebraico. Assim, a Comissão da Tradução do Novo Mundo da Bíblia entende que o
nome de Deus significa “Ele faz com que venha a ser”. Visto que a opinião dos
eruditos varia, não podemos ser dogmáticos sobre esse significado. No entanto,
essa definição reflete bem o papel de Jeová como o Criador de todas as coisas e
o Cumpridor do seu propósito. Ele não só fez com que o Universo e as criaturas
inteligentes existissem, mas, com o desenrolar dos acontecimentos, ele também
continua fazendo com que a sua vontade e o seu propósito se realizem.
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Portanto, o significado do nome Jeová não se limita ao sentido
transmitido pelo verbo relacionado encontrado em Êxodo 3:14, que diz: “Eu Me Tornarei O Que Eu Decidir Me
Tornar”, ou “Eu Mostrarei Ser O Que Eu Mostrar Ser”. Essas palavras não
descrevem o pleno sentido do nome de Deus. Na verdade, elas revelam apenas um
aspecto da personalidade dele: o de se tornar o que for necessário, em cada
circunstância, para cumprir seu propósito. Então, embora o nome Jeová inclua
essa ideia, não está limitado ao que ele decide se tornar. O nome Jeová inclui
também a ideia de que ele causa, ou faz acontecer, o que ele decidir em relação
à sua criação e ao cumprimento de seu propósito.
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TODAS AS PROFESSIAS BÍBLICAS, DO ANTIGO TESTAMENTO, DE FATO
SE CUMPRIRAM E COM A CHEGADA DO MESSIAS, ATRAVÉS DO NASCIMENTO DE JESUS CRISTO, DEU-SE INÍCIO À
UM NOVO TEMPO.
-
PARA SE CUMPRIREM AQUELAS ANTIGAS PROFESSIAS CRISTO NASCEU
PARA SER O SALVADOR DO MUNDO E A SUA HISTÓRIA, DESCRITA PELOS EVANGELHOS,
CHAMA-SE NOVO TESTAMENTO, A BOA NOVA QUE REVELA O COMPROMISSO DE DEUS EM
RELAÇÃO A UMA NOVA ERA PARA A HUMANIDADE.
-
DESTA FORMA TORNA-SE DA MAIOR IMPORTÂNCIA QUE NOSSOS
INTERESSES SE CONCENTREM NOS ESTUDOS DESSA NOVA ETAPA, POSSIBILIZANDO UMA
EXISTÊNCIA DE CONFORMIDADE COM A PALAVRA DE DEUS, ATRAVÉS DAS PROMESSAS CONTIDAS
NO NOVO TESTAMENTO, COM OS EVANGELHOS, AS EPÍSTOLAS E DEMAIS DOCUMENTOS QUE
REVELAM A GRANDEZA, O PODER E A MISERICÓRDIA DIVINA DE NOSSO SENHOR E JESUS
CRISTO.
-
FOI O PRÓPRIO JESUS CRISTO QUE ANUNCIOU:
-
“Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue, não
andará em trevas, mas terá a luz da vida.”
-
PROJETO ITER
OBJETIVOS – Estudos teológicos, filosóficos, apostólicos,
doutrinários[1]
e de serviços missionários, para a divulgação do NOVO TESTAMENTO, com ênfase
nos Quatro Evangelhos de Jesus Cristo,
contextualizando, de forma histórica e através de estudos científicos, o
protagonismo de MARIA SANTÍSSIMA, Mãe do Divino Mestre, como Profetisa do
Messias, sua principal companheira, atenta discípula e fiel seguidora do VERBO
ENCARNADO desde sua Milagrosa Concepção, o Nascimento (Natal), passando pelo Doloroso
Calvário, chegando até à Gloriosa Ressurreição e à Ascensão de Nosso Senhor.
CONSTITUIÇÃO – O ITER é
constituído pelos seus sócios fundadores e mantenedores, os quais se
comprometem, de forma solidária, ativa e livremente, refletir, acatar, obedecer,
divulgar e desenvolver o planejamento desse instituto visando a implantação das
ações propostas, em todas suas etapas, e tendo como meta o pleno cumprimento dos
objetivos estatutários.
O NOVO TESTAMENTO, confirmando ser
a Palavra de Deus, dá completa sustentação ao Compromisso de Salvação que fora
profetizado no Antigo Testamento, exigindo que todos os Filhos de Deus sejam
fieis às LEIS, devendo, portanto observar rigorosamente o Decálogo - as leis
que Deus nos deixou, ditando-as aos patriarcas bíblicos.
E, para
sabermos se estamos seguindo a Sua vontade e desta forma estarmos obedecendo-O,
devemos conhecer e refletir sobre esses DEZ MANDAMENTOS.
Quais são os Dez mandamentos?
Quais são os Dez mandamentos?

Os 10 Mandamentos
1 - Amar a Deus sobre todas as coisas.
Amar a Deus no próximo, através do nosso irmão. Temos que nos
assemelharmos à Ele, e para isso nos temos que:
- Amar a todos
- A todos perdoar.
- A todos servir
- E a ninguém excluir
Santo Agostinho definia que o nosso amor por Deus é assim: "Um
conflito entre dois amores: o amor de Deus impelido até o desprezo do amor de
si." ou "o amor de si impelido até o desprezo do amor de Deus".
Quando fomos batizados nós nos tornamos cristãos. Isso quer dizer que
nós não somos apenas amigos de Cristo, mas que estamos inseridos (fazemos
parte) no seu projeto de salvação, de restauração.
Jesus Cristo veio para restaurar a vida das pessoas, da igreja. Ex: nas
Bodas de Caná Ele transformou a água em vinho, deu vida ao filho da viúva de
Naim, fez os cegos enxergarem, os surdos ouvirem, os coxos andarem, etc... Nós
temos que a exemplo de Jesus Cristo restaurar a vida da sociedade.
E eu restauro a sociedade quando eu ajo com a consciência moral cristã,
testemunho Jesus Cristo onde quer que eu esteja, quando luto contra os
preconceitos racial, de cor, nível social.
"Deus só pede o nosso amor" - Leia Mt 22, 34-40
2 - Não tomar seu santo nome em vão.
- Proíbe todo uso impróprio do nome de Deus.
- Respeito - consequência do amor
- Jurar usando o nome de Deus
3 - Guardar domingos e festas de guarda
- Assistir e participar das missas - um único dia para adorar e louvar
a Deus.
4 - Honrar Pai e Mãe
- Respeito aos pais
- Obediência
- Diálogo
Na primeira parte da vida nós nos perguntamos qual o sentido daquilo
que a gente fez, o que a gente é. Na segunda parte da vida nos temos à
sabedoria. Na primeira parte nos devemos nos orientar pelos mais velhos porque
eles têm a sabedoria e a experiência.
5 - Não matar
Só Deus tem o direito de tirar a vida
- Aborto
- Eutanásia
- Suicídio
- Homicídio
6 - Não pecar contra a castidade
Integração correta da sexualidade na pessoa
- Namoro
- Se manter puro (corpo e alma)
- Relacionamento superficial dos jovens
Pensamento: Sempre que uma pessoa procura um prazer a curto prazo, vai
ter um sofrimento a longo prazo.
7 - Não roubar
- Apropriar-se do que não é seu
- Roubar a paz
8 - Não levantar falso testemunho
- Matar com a língua.
- Desmoralizar
- Ter misericórdia com o próximo
Quando falar, falar com a pessoa certa, pedir a orientação do Espírito
Santo.
Jesus disse: Não é o que entra pela boca que causa mal e sim o que sai
da boca.
9 - Não desejar a mulher do próximo
- Respeito ao compromisso assumido pelos outros
- Matrimônio
- A importância da família
10 - Não cobiçar as coisas alheias
- Sermão da Montanha - Mt. 5, 1 - 12
"O SER tem que estar acima do TER"
Quando Jesus morreu na cruz Ele realizou a salvação. Na hora de sua
morte, o sacrifício de Cristo se torna a fonte de onde brotará o perdão dos
pecados. Portanto, para todo pecado existe perdão, apenas um único é
imperdoável: é você morrer sem acreditar em Deus, é o pecado contra o Espírito
Santo, é o pecado da pessoa que não aceita o amor de Deus e o seu perdão.
Novo Testamento (do grego: Διαθήκη Καινὴ, Kaine Diatheke) é
o nome dado à coleção de livros que compõe a segunda parte da Bíblia cristã, cujo conteúdo foi escrito
após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo e é dirigido explicitamente aos cristãos, embora dentro da religião cristã
tanto o Antigo Testamento (a primeira parte) quanto o Novo Testamento são considerados, em
conjunto, Escrituras Sagradas.[1]
Os livros que
compõe essa segunda parte da Bíblia foram escritos à medida que o cristianismo era difundido no mundo antigo,
refletindo e servindo como fonte para a teologia cristã. Essa coleção de 27 livros influenciou não apenas a religião, a política e a filosofia, mas também deixou sua marca
permanente na literatura, na arte e na música.[2]
O Novo Testamento é
constituído por uma coletânea de trabalhos escritos em momentos diferentes e
por vários autores. Em praticamente todas as tradições
cristãs da atualidade, o Novo Testamento é composto de 27 livros.
Os textos originais
foram escritos por seus respectivos autores a partir do ano 42 d.C.[3] , em grego koiné[4] a língua franca da parte oriental do Império Romano, onde também foram compostos. A
maioria dos livros que compõe o Novo Testamento parece ter sido escrito por
volta da segunda metade do século I.[5]
Fazem parte dessa
coleção de textos as 13 cartas do apóstolo Paulo (maior parte da obra, escritas
provavelmente entre os anos 50 e 68 d.C.[6] ), os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João (narrativas da vida, ensino e morte de Jesus Cristo, conhecidos como os
Quatro Evangelhos), Atos dos Apóstolos (narrativa do ministério dos Apóstolos e da história da Igreja primitiva) além de algumas epístolas católicas (ou universais) menores escrito por vários autores e que tem com conteúdo instruções,
resoluções de conflito e outras orientações para a igreja cristã primitiva. Por
fim, o Apocalipse do apóstolo João.
Nem todos esses
livros foram aceitos imediatamente pela Igreja. Algumas dessas cartas foram
contestadas na antiguidade (antilegomena), como Apocalipse de João e algumas Epístolas católicas menores (II Pedro, Judas, Tiago, II e III João).[7] Entretanto, gradualmente, eles se
juntaram à coleção já existente que era aceita pelos cristãos, formando o cânone do Novo Testamento. Outros livros, como o Pastor de Hermas, a epístola de Policarpo, as de Inácio e as de Clemente (I e II Clemente), circularam na coleção antiga de livros que era aceita por algumas
comunidades cristãs. Porém, esses livros foram excluídos do Novo Testamento pela
Igreja primitiva.[8]
Curiosamente,
apesar da igreja defender que o Cânone do Antigo Testamento foi aceito integralmente pelos que conheciam a palavra de Deus, o novo
testamento só foi aplicado e conseguiu se tornar a bíblia sagrada na base da
violência e coerção. Ou seja, existiam muitos livros considerados sagrados,
algo em torno de mil livros, mas de 325 (primeiro concílio ecumênico) até as
primeiras cruzadas, o foco da igreja na Europa era sua expansão - desde que foi
considerada a religião oficial do império romano - o que resultou, por disputa
política, na morte de ebonistas, arianistas, e todos os outros cristãos que não
aceitassem o evangelho pregado pelos apostólicos, que era formado de apenas
livros escritos pelos e 4 apóstolos (hoje chamados de Evangelistas) e mais as
cartas de Pedro.
Esse é o início da
chamada idade das trevas, aonde toda a arte e religião (principalmente cristã
ou profética) que não fosse coesa com a teoria/evangelho apostólica era morta e
destruída. O resultado foi: destruição de todos os apócrifos encontrados,
guerra declarada à outras concepções cristãs, morte de todos os que pregavam os
apócrifos, e também morte à qualquer um que lesse a bíblia, já que até 1600, a
igreja católica apostólica não permitia que seus fiéis lessem a bíblia, o que
só podia ser feito pelo clero, e ao povo restava se apegar ao que era dito dentro
das igrejas, já que possuir a bíblia em casa podia ser sinal de rebeldia e
subversão, e isso durou até o fim das cruzadas, quando a burguesia surgiu, com
as trocas culturais que até então eram negadas pela igreja, e que só não foi
negada novamente porque a igreja perdeu as cruzadas, causando principalmente
nos povos que moravam no entorno dos feudos e que depois vieram a se tornar os
burgueses, uma sensação de pouca credibilidade da igreja, que jurava estar na
guerra por Deus e hipoteticamente era impossível perder. Quando a burguesia
tomou o lugar da nobreza, a igreja perdeu boa parte do seu poder político e se
deu fim à idade das trevas, aonde qualquer coisa podia ser morta em nome de
Deus, se assim a igreja quisesse.
Não foi aceito
uniformemente dentro do cristianismo (católicos, protestantes , ortodoxos gregos, eslavos e armênios divergentes quanto aos livros
incluídos no Antigo Testamento), os 27 que formam o Cânon do Novo Testamento
foram aceitos quase que universalmente dentro do cristianismo apostólico, e
somente por esse, pelo menos desde o século III. As exceções são o Novo
Testamento da Igreja Ortodoxa da Etiópia, por exemplo, que considera autêntico o Pastor de Hermas (séc. II) e a Peshitta, Bíblia da Igreja Ortodoxa Síria, utilizada por muitas Igrejas da Síria, que não inclui o Apocalipse de João
na lista de livros inspirados.[9]
Livros do Novo Testamento
Os 27 livros do
Novo Testamento foram escritos em diversos lugares e por autores diferentes que
classificaram seus escritos como inspirados, ao lado dos escritos do Antigo
Testamento. Entretanto, diferente do Antigo Testamento, o Novo foi produzido em um curto
espaço de tempo, durante menos de um século.[10] Esses livros eram respeitados,
colecionados e circulavam na igreja primitiva como Escrituras Sagradas. O fato desses livros terem sido lidos, citados, colecionados, e
passados de mão em mão dentro das igreja do início do cristianismo, assegura
que a Igreja Primitiva os tinha como proféticos ou divinamente inspirados, desde o começo.[11] .
A divisão do Novo
Testamento em seções e versículos é atribuída a Amônio de Alexandria[12] , do século III, e à Eutálio de Alexandria[13] , no século V d.C., que continuou o
trabalho de Amônio.
Evangelhos
A palavra Evangelho
significa "Boas Novas". Eles referem-se ao nascimento do Messias prometido. Cada um dos quatro
evangelhos do Novo Testamento narra a história da vida e da morte de Jesus de Nazaré.
Esses evangelhos
são composições anônimas que levam o nome dos seus autores no título.[14] Assim, no século II esses livros
eram denominados na seguinte fórmula: "O Evangelho de..." ou
"O Evangelho segundo..." (Em grego: τὸ εὐαγγέλιον κατὰ ...) + nome do evangelista que foi o autor do evangelho. Todos
os quatro evangelhos foram reunidos logo após o Evangelho de João ter sido
escrito.[15] A coleção de quatro livros era
conhecida como "O Evangelho" no começo do segundo século. Assim, o cristianismo primitivo sempre aceitou esses evangelhos porque conheciam seus autores.[16] Os evangelhos de Mateus, Marcos e
João parecem ter sido escritos como biografias, seguindo o modelo da antiguidade,
enquanto Lucas e Atos parece ter sido composto como uma monografia histórica em dois volumes.[17] São eles:
- Evangelho de Mateus - atribuído ao apóstolo Mateus. Este evangelho começa com a genealogia de Jesus e a história do seu nascimento. Termina com o comissionamento dos discípulos por Jesus depois de ressuscitado. O principal objetivo do evangelho de Mateus é mostrar para os judeus que Jesus era o Messias. Apesar dos vários debates sobre sua datação, ele provavelmente foi escrito depois da morte de Jesus (31 d.C.) entre os anos 50-65 d.C.[18] Era considerado o manifesto da Igreja de Jerusalém e, por conseguinte, o documento fundamental do início da fé cristã.[19]
- Evangelho de Marcos - atribuído a Marcos, o Evangelista. Marcos não era um dos doze apóstolos de Jesus, mas foi um dos ajudantes de Paulo e depois de Pedro.[20] Segundo os pais da igreja, o evangelho de Marcos foi escrito com base no ensino do apóstolo Pedro, depois de uma palestra feita em Roma para os pagãos por volta do ano 65 d.C.[21] <[22] [23] Este evangelho começa com a pregação de João Batista e o batismo de Jesus. Alguns manuscritos antigos não trazem os versículos 9-20 do último capítulo.[24] outros manuscritos apresentam finais diferentes.[25]
- Evangelho de Lucas - atribuído a Lucas, que também não foi um dos doze apóstolos, mas é mencionado no Novo Testamento como companheiro do apóstolo Paulo (II Timóteo 4:11) e médico (Colossenses 4:14).[26] O autor não foi testemunha ocular das coisas que registrou, mas fez uma minuciosa investigação com essas pessoas que presenciaram os fatos contidos nesse evangelho (Lucas 1:1-4). Ele é dirigido para alguém chamado Teófilo, que até hoje é desconhecido. Este evangelho começa com histórias paralelas do nascimento e da infância de João Batista e Jesus e termina com as aparições de Jesus ressuscitado e sua ascensão ao céu. Seu objetivos era contar a história de Cristo a partir dessas testemunhas oculares. Foi escrito provavelmente no ano 63 d.C.[27]
- Evangelho de João - atribuído ao apóstolo João, filho de Zebedeu. Este evangelho começa com um prólogo filosófico e termina com as aparições de Jesus ressuscitado. Foi escrito no final do século I[28] e tinha como objetivo complementar de diversas maneiras o registro que tinha sido fornecido sobre a história de Jesus pelos outros três evangelistas.[29]
Os três primeiros
evangelhos listados acima são classificados como os Evangelhos sinópticos. Isso porque eles contêm relatos semelhantes da vida e ensino de Jesus.
Esses três evangelhos possuem várias dependências literárias. Há várias
possíveis explicações para sua formação: Há quem afirme que o evangelho mais
antigo seria o de Marcos, cuja data de escrita costuma ser calculada entre os
anos 55 e 65 d.C. e pode ter servido de fonte sobre a vida de Jesus para Mateus
e Lucas. Outra corrente de estudiosos mais liberais afirma que eles foram
escritos com base em uma Fonte “Q” (de quelle, que significa "fonte" em língua alemã) que é desconhecida até os dias de
hoje; Ou então com base no Evangelho segundo os Hebreus (65-100 d.C.), que sobreviveu apenas em fragmentos encontrados nas citações
feitas por vários pais da igreja primitiva. Uma terceira explicação para a
dependência literária dos evangelhos sinóticos afirma que o evangelho de Mateus
foi escrito primeiro. Depois, Lucas utilizaria o evangelho de Mateus e o
Evangelho segundo os Hebreus, além de outros evangelhos que circulavam na
época. Por fim, o evangelho de Marcos seria fruto de uma palestra que Pedro deu
com base nos evangelhos de Mateus e de Lucas.
Já o Evangelho de João
é estruturado de forma diferente dos evangelhos sinóticos e inclui histórias de
vários milagres e palavras de Jesus que não são encontradas nos outros três evangelhos.
Esses quatro
evangelhos foram unanimemente aceitos como parte do Cânon Sagrado do Novo
Testamento. Porém, eles foram apenas alguns entre os muitos outros evangelhos
cristãos. A existência de tais textos é mencionada no início do Evangelho de
Lucas (Lc 1:1-4). Outros evangelhos, como os chamados "evangelhos
judaico-cristãos" ou o Evangelho de Tomé, oferecem uma ajuda precisa para entender o contexto do cristianismo primitivo.
Além disso, esses outros evangelhos que não foram incluídos no Cânon Sagrado
podem fornecer alguma ajuda na reconstrução do Jesus histórico.
História
- Atos dos Apóstolos - É a continuação do Evangelho de Lucas (At 1.1 e 2) e conta a história de como a mensagem cristã foi anunciada em Jerusalém, Samaria e as demais regiões do Império Romano (At 1.8). Nesse livro, destacam-se duas pessoas: Paulo e Pedro. Pedro dirige o trabalho cristão em Jerusalém, Samaria (At 1.12 – 8.25), Lida, Jope e Cesareia Palestina (At 9.32-11.18). Esse livro também trata da conversão do apóstolo Paulo (At 9) e de suas viagens missionárias pelo Império Romano (At 13-28). Examinando o estilo, a fraseologia e outras evidências internas, a maioria dos estudiosos atribui a Lucas a autoria desse evangelho. Ele foi escrito provavelmente antes da morte do apostolo Paulo por Nero, por volta de 67-68 d.C. Isso porque esse livro não cita a morte de Paulo, fato que seria muito relevante para a história cristã antiga.
Epístolas paulinas
As epístolas paulinas (ou Corpus Paulinum em latim) são cartas escritas pelo apóstolo Paulo. Essas epístolas tratam de pontos
teológicos importantes para o desenvolvimento da doutrina cristã no cristianismo primitivo. Geralmente, essas epístolas foram escritas tanto para indivíduos,
quanto para as primeiras comunidades cristãs.
- Romanos
- I Coríntios
- II Coríntios
- Gálatas
- Efésios
- Filipenses
- Colossenses
- I Tessalonicenses
- II Tessalonicenses
- I Timóteo
- II Timóteo
- Tito
- Filémon
Hebreus
- Hebreus - Sua autoria é incerta. A ciência moderna rejeita ter sido escrita por Paulo. Até mesmo na antiguidade sua autoria foi debatida. Orígenes escreveu:
“
|
Os homens dos tempos
antigos afirmaram que Paulo foi o autor, mas quem escreveu essa Epístola apenas Deus sabe.
|
”
|
O que se sabe é que ela foi
escrita na segunda geração de cristãos (Hb 2.1-4) e após um intervalo
considerável de tempo depois da conversão do destinatário (Hb 5.12). Assim, o
livro de Hebreus parece ter sido escrito no final do ano 60 d.C.
Epístolas católicas (ou epístolas universais)
Compreende as epístolas escritas
para a igreja em geral. O termo "católico" [grego: καθολική,
katholike, que significa "universal"] é usado para descrever essas
cartas já nos manuscritos mais antigos onde essas cartas estão presentes. As
cartas também são conhecidas como Epístolas Gerais.
- Epístola de Tiago - escrito por Tiago, irmão de Jesus;
- Primeira Epístola de Pedro - escrita por Pedro;
- Segunda Epístola de Pedro - escrita por Pedro;
- Primeira Epístola de João - escrita por João;
- Segunda Epístola de João - escrita por João;
- Terceira Epístola de João - escrita por João;
- Epístola de Judas - escrita por Judas, irmão de Jesus.
Profecia
- Apocalipse - Último livro do Novo Testamento, o Apocalipse de João foi escrito pelo apóstolo João, filho de Zebedeu. Alguns sustentam a posição de que seu autor foi outro João, da cidade de Patmos. Mas a evidência interna aponta o autor do Evangelho de João e das três epístolas joaninas como seu autor. O livro começa com cartas para sete igrejas das província da Ásia. Depois toma a forma de um apocalipse, gênero literário popular tanto no judaísmo quanto no cristianismo antigo.
Ordem dos livros
A ordem em que os livros do Novo
Testamento estão ordenados difere entre algumas tradições eclesiásticas. A Bíblia protestante, por exemplo, segue o ordem da
organização encontrada na Bíblia da Igreja Católica Romana. Entretanto, a ordem do Cânon de Lutero é diferente. Fora da Europa Ocidental, onde se encontra a maioria
católica e protestante, a Bíblia está organizada em ordens diferentes: o Novo
Testamento da Bíblia eslava, siríaca e etíope não seguem a mesma ordem que das
Bíblias ocidentais.
Extensão do Novo Testamento
Os livros que entraram no Cânon Sagrado do Novo Testamento não foram às únicas obras da literatura cristã escrito nos primeiros
séculos de nossa era. O processo de canonização dos livros
dessa parte das Escrituras começou cedo, com textos sendo explicitamente rejeitados já no tempo
dos discípulos. Essa decisão não eram necessariamente baseada em avaliações da
ideias religiosas ou da teologia da obra em questão, e sim em uma série de fatores (ver: Cânon do Novo Testamento).
Pseudepígrafos
Os livros que foram rejeitados
pela igreja primitiva são chamados de pseudepígrafos. Eram livros considerados espúrios e heréticos pela igreja cristã dos século II
e III, época em que surgiram esses textos. Nenhum pai da igreja, Cânon, ou Concílio declarou que qualquer um dos
pseudepígrafos seria canônico. Eusébio, assim com a maioria dos pais da igreja, chamou esses livros de
"totalmente absurdos e ímpios".
Os livros pseudepígrafos foram
escritos por comunidades gnósticas, docéticas e ascéticas. Os gnósticos eram uma seita
filosófica que ensinava que a matéria é má, além de negarem a encarnação de Cristo. Já os docetas ensinavam a divindade de Jesus, mas negavam sua
humanidade; diziam que Ele só tinha a aparência de ser humano. Os ascéticos ensinavam que
Cristo tinha uma única natureza, que era um fusão entre o divino e o humano.
Esses livros contém certa
curiosidade sobre os fatos não relatados nos livros canônicos, como a infância de Jesus, por exemplo. Segundo Norman Geisler, existem cerca de 280 obras dessa
natureza. Para os cristãos, o único valor que esses livros têm são históricos,
pois revelam a crença e o contexto de seus autores.
Apócrifos
Os livros apócrifos do Novo
Testamento diferencia-se dos pseudepígrafos por gozarem de grande estima por
pelo menos um dos pais da igreja. Entretanto, os apócrifos, na maior parte, não
foram aceitos pela igreja cristã primitiva nem pelos pais primitivos e
ortodoxos da igreja. Por isso, não foram considerados canônicos.
Alexander Souter define bem a
autoridade desses livros ao afirmar que eles tiveram uma "canonicidade
temporal e local". Ou seja, os apócrifos haviam sido aceitos por um número
limitado de cristãos, durante um tempo limitado, sem contudo ter recebido um
reconhecimento amplo ou permanente. Norman Geisler fornece três razões do por quê
esses livros são importantes e faziam parte das bibliotecas devocionais e homiléticas da igreja primitiva:
- Revelam os ensinos da Igreja do século II;
- Fornecem documentação da aceitação dos 27 livros do NT;
- Fornece informações históricas a respeito da igreja primitiva.
Idioma
Judeus e gentios utilizavam os mesmos idiomas para
se comunicarem em Jerusalém na época de Jesus: aramaico, grego koiné, e até certo ponto, os dialetos
coloquiais que constam no Talmude. É
provável que todos os livros que formaram o Novo Testamento foram escritos em
grego koiné, o dialeto vernáculo que na época era falado nas províncias romanas do Mediterrâneo Oriental. Estes livros foram posteriormente traduzidas para outros idiomas,
principalmente, o latim, o siríaco e o copta. Entretanto, alguns alegam que o Evangelho de Mateus foi escrito em hebraico com base na seguinte declaração de Papias, citada no livro História
Eclesiástica, de Eusébio:
“
|
Mateus compôs as
declarações (ta logia) em um
estilo hebraico (hebraidi dialekto), e cada um registrou como
foi capaz.[30]
|
”
|
Alguns interpretam que essa
declaração mostra que o evangelho de Mateus foi escrito em hebraico.
Entretanto, uma leitura cuidadosa demonstra que Papias afirma que o evangelho
foi escrito "em um estilo hebraico", e não "na língua
hebraica". Estudiosos como J. Kurzinger e David Alan Brack
apoiam essa interpretação. O Comentário
Bíblico Moody também defende esse posicionamento ao
afirmar que:
“
|
Muitos explicaram a
declaração de Papias, dizendo que se referia a uma forma original do aramaico
do qual se traduziu o nosso evangelho grego. Mas o nosso texto grego não tem
as marcas de uma tradução, e a ausência de qualquer traço de um original
aramaico lança pesadas duvidas sobre tal hipótese. Goodspeed argumenta
detalhadamente que seria contrario à prática grega dar uma tradução grega o
nome do autor do original aramaico, pois os gregos apenas se preocupavam com
aquele que passava a obra para o grego. Como exemplos (ele cita o evangelho
de Pedro) e o Velho Testamento grego, que foi denominado Septuaginta (os
setenta) segundo seus tradutores, não segundo seus autores Hebreus.[31]
|
”
|
Por isso, os estudos modernos sugerem
que o Evangelho de Mateus foi composto em grego e não seria diretamente
dependente de nenhuma tradução em uma língua semítica, embora a citação de textos do Antigo Testamento demonstra que o autor desse
Evangelho sabia hebraico.
Todavia, ainda constam na mesma História
Eclesiástica, a afirmação do próprio Eusébio e outras citações de
importantes patriarcas da Igreja que confirmam que o Evangelho de Mateus foi
escrito originalmente em hebraico:
“
|
...de todos os
discípulos, Mateus e João são os únicos que nos deixaram comentários escritos
e, mesmo eles, foram forçados a isso. Mateus tendo primeiro proclamado o
evangelho em hebraico, quando estava para ir também às outras nações,
colocou-o por escrito em sua língua natal e assim, por meio de seus escritos,
supriu a necessidade de sua presença entre eles." (Eusébio de
Cesareia)
|
”
|
“
|
Segundo aprendi com a
tradição a respeito dos quatro evangelhos, que são os únicos inquestionáveis
em toda Igreja de Deus em todo o mundo. O primeiro é escrito de acordo com
Mateus, o mesmo que fora publicano, mas depois apóstolo de Jesus Cristo, o
qual, tendo-o publicado para os convertidos judeus o escreveu em
hebraico" (Orígenes)
|
”
|
“
|
Mateus, de fato,
produziu seu evangelho escrito entre os hebreus no dialeto deles..." (Irineu de Lyon)
|
”
|
Outros ainda afirmam que a Epístola aos Hebreus foi escrita em hebraico, sendo traduzida depois para o grego por Lucas. Essa possibilidade também não é
sustentada pelos estudiosos modernos, que argumentam que a qualidade literária
de Hebreus sugere que foi composta diretamente em grego, ao invés de ter sido
traduzidos.
Outra questão importante também é
notar que muitos livros do Novo Testamento, especialmente os evangelhos de Marcos e João, foram
escritos em um grego relativamente "pobre". Eles estão distantes do
refinado grego clássico encontrado nas composições feitas pela classe alta, elite
governamental, e filósofos conceituados da época.
Uma minoria de estudiosos
considera que a versão aramaica do Novo Testamento seria a original e acredita
que o grego é apenas uma tradução. Este ponto de vista é conhecido como Primazia
Aramaica.
Etimologia do termo Novo Testamento
O uso do termo Novo Testamento
para descrever a coleção de textos que fazem parte da Bíblia, originou-se do latim Novum Testamentum, que alguns acreditam ser uma tradução do grego Διαθήκη Καινή , e era usado com o
significado de "último desejo ou testamento", conforme a
tradução latina indica. O significado do termo
aponta para um arranjo feito por um grupo que pode ser aceito ou rejeitado por
outro grupo, embora esse não o possa alterar; e ele, quando aceito, une esses
dois grupos de acordo com os termos ali contidos.
Esta frase grega encontra-se no
próprio texto do Novo Testamento, onde é traduzido como "nova aliança".
Aliança significa acordo ou contrato que envolve as duas partes que firmam
algo. A frase também aparece mais cedo na Septuaginta (a tradução grega do Antigo
Testamento). Em Jeremias 31:31, a Septuaginta usou essa frase grega para traduzir o original hebraico ברית חדשה (b e chadashah RIT). O
termo hebraico é também traduzido geralmente como nova aliança.
E se no século II Tertuliano utiliza pela primeira vez na Grande Igreja os termos de Novum Testamentum
(Novo Testamento) e Vetus Testamentum (Antigo Testamento) para designar
uma coleção particular de livros que alguns acreditavam que incorporavam uma
nova aliança, a realidade é que o termo Novo Testamento foi inventado
por Marcião que propunha com o marcionismo dois deuses distintos, um no
Antigo Testamento e outro no Novo Testamento, pelo que foi denunciada pelos Pais da Igreja e excomungado [32] .
Por exemplo, em Contra Marcion, livro 3 e capítulo 14 (escrito
no III século, em 208 d.C.), Tertuliano escreveu que "Isso
pode ser entendido como o Verbo Divino, que é duplamente ligado com os dois
testamentos da Lei e do Evangelho". No livro 4 do capítulo 6,
complementou: "Pois é certo que todo o objetivo a que ele (Marcião) tem trabalhado
arduamente, mesmo na elaboração de suas Antíteses ... é para que ele possa
estaber uma diversidade entre o Antigo e o Novo Testamento, de modo que o seu
próprio Cristo possa ser separado do Criador, como pertencentes a este deus
rival e como estrangeiro da Lei e dos Profetas".
Lactâncio (séculos III e IV), autor cristão
que escreveu em latim a obra Divino Instituto no início de século IV,
relata no livro 4 e capítulo 20 o seguinte:
“
|
Mas toda a Escritura é
dividida em dois Testamentos: o que precedeu o advento e da paixão de Cristo,
isto é, a Lei e os Profetas, é chamado de Velho Testamento. Mas as coisas que
foram escritas após a Sua ressurreição são nomeadas Novo Testamento. Os
judeus fazem uso do Velho Testamento e nós do Novo. Mas os dois não são
discordantes porque o Novo é o cumprimento do Velho, e em ambos há o mesmo
testador: Cristo, que, depois de ter sofrido a morte por nós, fez-nos
herdeiros do Seu reino eterno (...). Como o profeta
Jeremias testemunha
quando fala coisas como: "Eis que
dias vêm, diz o Senhor, que eu vou fazer um novo testamento para a casa de
Israel e para a casa de Judá, não segundo a aliança que fiz com
seus pais, no dia em que os tomei pela mão para tirá-los da terra do Egito,
porque não continuou no meu testamento, e eu a desconsiderei, diz o
Senhor" Jeremias 31:31-32] (...). Por Ele ter dito
iria fazer um novo testamento para a casa de Judá, o Antigo Testamento, que
foi dada por Moisés, não era perfeito. Mas sim o que era
para ser dada por Cristo estaria completo.
|
”
|
6 Que também
nos fez caber ministros do novo testamento, não na letra, mas no espírito. Pois
a letra mata, mas o espírito vivifica. (Douay-Rheims)
14 Mas os seus
sentidos foram obscurecidos. Pois, até o dia de hoje, o véu escuro da leitura
do Antigo Testamento, não foi tirado (pois em Cristo é anulada).
(Douay-Rheims)
No entanto, a mais moderna
tradução em Português da Bíblia, a Nova Versão Internacional, traduz esses versos do grego koiné da seguinte forma:
6 Ele nos
capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do
Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica.
14 Na verdade a
mente deles se fechou, pois até hoje o mesmo véu permanece quando é lida a
antiga aliança. Não foi retitado, porque é somente em Cristo que ele é removido.
Assim, é comum usar qualquer um
desses dois termos em Português para traduzir: ou testamento ou aliança, mesmo
que eles não sejam sinônimos.
Formação do Cânon do Novo Testamento
A folha de P46, um das primeiras coleções do século III
das epístolas paulinas.
O cânon bíblico é o conjunto de livros que os cristãos consideram como divinamente inspirados, formando assim a Bíblia cristã. Embora a Igreja Primitiva usasse o Antigo Testamento de acordo com o cânon da Septuaginta (LXX), ao escrever os seus textos os apóstolos não pretendiam criar um conjunto
definido de novas Escrituras, mesmo com o reconhecimento deles de que seus
escritos eram divinamente inspirados.
O processo de canonização do Novo Testamento foi complexo e
demorado. Caracterizou-se por uma coletânea de livros que a tradição
apostólica considerou autoritária no culto e no ensino, e em consonância com o
Antigo Testamento, além de serem relevantes para as situações históricas em que
viviam. Contrário à crença popular, o cânon do Novo Testamento não foi
sumariamente decidido em reuniões do Conselho da igreja, mas sim desenvolvido
ao longo de muitos séculos.
Os escritos dos apóstolos
circulavam entre as primeiras comunidades cristãs. As epístolas de Paulo estavam circulando já reunidas no final do primeiro século d.C.. Justino Mártir, no segundo século, menciona as memórias dos
apóstolos, que os cristãos chamam de evangelhos e que eram considerados em pé de
igualdade com o Antigo Testamento. Um cânone contendo os quatro evangelhos (os
Tetramorph) já estava circulando na igreja no tempo de Ireneu em 160 d.C.. No início do século III, Orígenes de Alexandria talvez já tenha usado os mesmos 27 livros que compõe o Novo
Testamento moderno, mas ainda havia disputas sobre a canonicidade do livro de Hebreus, de Tiago, de II Pedro, de II e III João e do Apocalipse. Essas obras cuja autenticidade era questionada são chamadas Antilegomena. Em contraste, os escritos que
foram aceitos universalmente pela igreja desde meados do século II e que compõe
hoje a maior parte do Novo Testamento são denominadas homologoumena. O fragmento de Muratori mostra que em 200 d.C. já existia um
conjunto de escritos cristãos semelhante ao Novo Testamento atual.
Em sua carta de Páscoa de 367 d.C., Atanásio, bispo de Alexandria escreveu a primeira lista com os 27 livros que viriam a formar o Novo
Testamento canônico. O Sínodo de Hipona em 393 d.C. aprovou o Novo Testamento tal como conhecemos hoje,[33] juntamente com os livros da Septuaginta, uma decisão que foi repetida
pelo Conselho de Cartago em 397 d.C. e em 419 d.C.. Esses conselhos foram liderados por Santo Agostinho, que considerava o cânone como
algo já fechado. Da mesma forma, o Papa Dâmaso I comissionou Jerônimo de Estridão a fim de organizar a edição Latina da Vulgata em 383 d.C., o que foi fundamental para a fixação do cânon do Ocidente. Em 405 d.C., o Papa Inocêncio I mandou uma lista dos livros sagrados para Exuperius, um bispo gaulês.
Entretanto, como lembra F. F. Bruce, os livros do Novo Testamento
não se tornaram escritos revestidos de autoridade para a igreja porque foram
formalmente incluídos em uma lista canônica; pelo contrário, a igreja
incluiu-os no cânon porque já os considerava divinamente inspirados,
reconhecendo neles o valor inato e a autoridade apostólica direta ou indireta.
Assim, por volta do século IV, já havia uma unanimidade no Ocidente sobre o cânon do Novo Testamento;
O Oriente, com poucas exceções, havia
entrado em concordância sobre a questão do cânon por volta do século V. A única resistência estava
relacionada ao livro do Apocalipse. Não obstante, um articulação dogmática
completa do cânon não foi feita até 1546 no Concílio de Trento para o Catolicismo Romano; e em 1563 nos Trinta e Nove
Artigos da Igreja da Inglaterra; Em 1647 na Confissão de Fé
de Westminster para o calvinismo; E finalmente em 1672 no Sínodo de Jerusalém para ortodoxia grega.
Autoria
Por ser uma coleção de livros, o
Novo Testamento foi escrito por vários autores. A visão tradicional é que esses
livros foram escritos ou por apóstolos, como Mateus, João, Pedro e Paulo; ou por discípulos que trabalharam sob a
direção desses apóstolos, como Marcos e Lucas. Todos esses escritores dos livros do Novo Testamento eram judeus, com exceção de Lucas. Três
deles, Mateus, João e Pedro, faziam parte do grupo dos apóstolos de Jesus. Outros autores do Novo Testamento, como Marcos, Judas e Tiago foram
ativos na igreja primitiva. Os três também já tinham contato com o grupo de
apóstolos mesmo antes da morte de Jesus. Lucas e Paulo, embora não tenham sido
testemunhas oculares da vida de Cristo, eram bem conhecidos daqueles que o
foram. Nada se sabe sobre o autor de Hebreus.
Epístolas Paulinas
Treze das epístolas foram escritas
pelo apóstolo Paulo. Alguns estudiosos aceitam apenas sete como autênticas.
Entre essas cartas estão incluídas Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Filipenses, I Tessalonicenses e Filémon. Os outros livros do novo testamento, para os estudiosos liberais,
foram escritos por pessoas que estavam próximas do apóstolo Paulo.
Entretanto, boa parte dos
estudiosos concordam que as 13 epístolas que levam a autoria de Paulo, foram
escritas ou ditadas por ele. F F Bruce afirma que "já se foi o
tempo em que se ousava negar a autenticidade e a autoria desses
documentos".[34] Algumas
dessas epístolas paulinas mostram claramente que foram ditadas por Paulo e
escritas por um escriba: o
livro de Romanos foi escrito por Tércio (Romanos
16:22) e o livro de I Coríntios parece ter
sido escrita por Sóstenes (I
Coríntios 1:1).
Das treze epístolas que levam o
nome de Paulo, três foram escritas no fim de sua prisão em Roma.[35] I e II Timóteo e a carta de Tito são
conhecida como epístolas pastorais.[36] As outras dez são conhecidas como
epístolas de viagem, porque foram escritas nas viagens missionárias do apóstolo
Paulo.
Hebreus
A Epístola aos Hebreus constitui o maior problema de autoria do Novo Testamento. Na verdade,
a questão sobre a autoria de Hebreus é antiga, remontando ao século III.
O escritor eclesiástico Caio não
considerava Hebreus como sendo escrita por Paulo.[37] Orígenes afirmava que
“
|
se pois alguma igreja
considera essa epístola proveniente de Paulo, que seja louvada por isso, pois
tão pouco esses homens da antiguidade a transmitiram como tal sem causa; mas
só Deus sabe quem realmente escreveu essa epístola”.[38]
|
”
|
Eusébio declarou que Clemente de Alexandria afirmava que essa epístola foi escrita por Paulo em hebraico, e
traduzida para o grego por Lucas.[39] Já
Tertuliano atribuía a autoria a Barnabé[40] ; e Apolo foi uma
sugestão de Martinho Lutero.[41]
Entretanto, a única certeza que se
tem é que o autor não era discípulo imediato de Cristo (Hebreus 2:3). Era judeu, uma vez que
empregava a primeira pessoa do plural para se referir ao seu público judaico.
Era amigo de Timóteo e
pertencia ao círculo paulino (Hebreus
13:23). Além disso, era muito versado no Antigo Testamento, fazendo uso da versão grega da Septuaginta (LXX).
Evangelhos
Os evangelhos sinóticos (Mateus,
Marcos e Lucas), tem uma inter-relação única. Eles descrevem muitos dos mesmos
acontecimentos e atribuem a Jesus palavras semelhantes ou iguais. A visão
dominante entre os estudiosos para explicar essa inter-relação é a hipótese das
duas fontes. Esta hipótese propõe que Mateus e Lucas estruturaram seus
evangelhos de forma significativa sobre o Evangelho de São Marcos; e outra
fonte que continha os ditos de Jesus, conhecida como "Q" (derivado de
quelle, palavra alemã para "fonte"). A natureza e
até mesmo a existência de uma fonte escrita contendo esse material partilhado
por Mateus e Lucas e designada como Q tem sido questionada por alguns estudiosos,
alguns dos quais propuseram a hipótese de variantes a fim de nuançar ou mesmo
acabar com a fonte Q.
Os estudiosos que reconhecem a
existência de Q argumentam que este era um documento único de escrita, enquanto
alguns sugerem que o "Q" foi realmente um número de documentos ou tradições orais. Se fosse uma fonte documental, não há informações sobre o seu autor
ou autores, e é praticamente impossível obter essa informação a partir dos
recursos atualmente disponíveis.
Data da composição
Embora não se tenha nenhum dos
documentos originais, mas tão somente manuscritos dos séculos posteriores, de
modo geral acredita-se que os livros do Novo Testamento teriam sido escritos no
século I da era comum. As datas exatas de
escrita dos livros propostas por pesquisadores possuem variações. Alguns
consideram que o Novo Testamento praticamente completo (com exceção de
Apocalipse) já estava escrito antes do ano 70, com alguns livros tendo sido escritos apenas alguns anos após os
eventos que narram. De outro lado estão pesquisadores que consideram que todos
os livros do Novo Testamento foram escritos bem depois dos acontecimentos relativos
à morte de Jesus.
Apesar do Evangelho de Mateus
figurar como o primeiro livro do Novo Testamento bíblico, é de maneira geral
aceito entre pesquisadores que este não foi o primeiro a ser escrito, nem entre
os evangelhos e quanto às demais obras. Isto porque o Evangelho mais antigo
teria sido o de Marcos, cuja data de escrita costuma ser calculada entre os
anos 55 e 65 da era comum e pode ter servido de fonte para Lucas e Mateus ampliarem as
informações sobre a vida de Jesus na terra, embora contenha 31 versículos a
mais relativos a outros milagres não relatados pelos demais evangelistas.
Todavia, supõe-se que os livros
mais antigos teriam sido as epístolas de Tiago e de Paulo aos gálatas, cuja época teria sido, aproximadamente,
em torno do ano 49 da era comum, antes do Concílio de Jerusalém.
Já os últimos livros a serem
escritos têm a sua autoria atribuída ao apóstolo João e seriam o seu Evangelho,
as três epístolas e o Apocalipse. Este, por volta do ano 95 da era comum, em Patmos, no
período da perseguição do imperador Domiciano.
Importante observar que o período
que pode ter sido o de maior produção dos escritos do Novo Testamento
corresponderia à década de 60 do século I, talvez como uma iniciativa de
preservar as informações sobre as origens do cristianismo na época das
perseguições de Nero, quando a maioria dos apóstolos foram martirizados, entre os quais Pedro e Paulo.
Por outro lado, as epístolas de
Paulo foram muito utilizadas pelo apóstolo para fins de comunicação com as
comunidades cristãs e com os pregadores durante os tempos de suas viagens
missionárias e na época de Nero. Algumas cartas, como a epístola aos gálatas
teriam sido bem antes da primeira perseguição aos cristãos do Império Romano.
Outras teriam sido após os últimos relatos que constam no livro de Atos.
Manuscritos do Novo Testamento
Fragmento do Papiro P52
ou Rylands Library Papyrus, que contém cinco versículos do Evangelho de João (18.31-33,37,38). Ele é datado entre 117-138 d.C.
Como outras literaturas da
antiguidade, o texto do Novo Testamento era (antes do advento da imprensa) preservado e transmitido em manuscritos. De acordo com a última contagem,
existem cerca de 5.700 manuscritos gregos do Novo
Testamento. Além disso, existem mais de nove mil manuscritos em outras línguas
(siríaca, copta, latim, árabe).
Alguns desses manuscritos são Bíblia completas, outros são livros ou páginas, e
somente alguns são apenas fragmentos.
O Novo Testamento foi escrito em
letras de imprensa, conhecidas pelo nome de Unciais (ou maiúsculas). A partir do
século VI esse estilo caiu em desuso, sendo gradualmente substituído pelos
manuscritos chamados minúsculos. Esses predominaram no período
que vai do século IX ao XV.
O Rylands Library Papyrus
ou Papiro P52 é geralmente aceito como o mais
antigo registro sobrevivente de um livro que viria a ser o Novo Testamento. É
datado em algum momento entre 117 d.C. e 138 d.C.. A parte frontal desse papiro
contém as linhas do Evangelho de João (João 18:31-33). No verso estão registrados os versículos 37 e 38. Os manuscritos do
Novo Testamento são divididos em três categorias: papiros, unciais e minúsculos. O que os diferencia são suas
características diferenciadas.
Papiros
Esses manuscritos datam do século
II e III. Eles foram escritos quando o cristianismo ainda era ilegal e as
cópias do Novo Testamento eram feitas no material mais barato possível.
Atualmente, existem cerca de 26 manuscritos do Novo Testamento em papiro.
Como esses textos surgiram apenas
uma geração depois dos autógrafos originais, eles são valiosíssimos
para a montagem do texto original através da critica textual do Novo
Testamento. O fragmento P52, por exemplo, faz parte dessa categoria.
Outros documentos valiosos são o P45, P46 e o P47, conhecidos como Papiros Chester Beatty (250), consistem de três códices que abrangem a maior parte do
Novo Testamento.
P45 – são trinta folhas de um códice de papiro que contém os evangelhos e
Atos;
P46 – traz a maior parte das cartas de Paulo, bem como Hebreus, faltando,
porém, algumas partes de Romanos, I Tessalonicenses e e todas II
Tessalonicenses;
P47 – Contem partes do Apocalipse.
A mais importante descoberta de
papiros do Novo Testamento são os Papiros Bodmer (175-225). Eles compreendem o P66, o P72 e oP75.
P66 (200 d.C.) - contém algumas porções do evangelho de João;
P72 (séc. III) – É a mais antiga cópia de Judas e de I e II Pedro que se
conhece; contém vários livros, alguns canônicos e outros apócrifos;
P75 (175-225 d.C.) – contém Lucas e João em unciais cuidadosamente
impressos, com toda clareza. É a mais antiga cópia de Lucas que se tem noticia.
Autoridade
Todas as igrejas cristãs aceitam o Novo Testamento como parte de suas Escrituras Sagradas. Entretanto,
os vários ramos do cristianismo diferem em sua compreensão da natureza, extensão e relevância da Autoridade do Novo Testamento.
Geralmente, o papel que uma
vertente cristão tem do Novo Testamento como Autoridade depende muito do
conceito de inspiração, que esta relacionado com o papel de Deus na formação do Cânon Bíblico. Assim, quanto maior o papel de Deus na doutrina da inspiração, mais
se aceita a doutrina da inerrância bíblica e/ou da Bíblia como regra de fé e prática.
As condições para definir esses
termos são difíceis, visto que muitas pessoas as usam indiferentemente ou com
significados muito diferentes. Aqui, utilizaremos os termos da seguinte forma:
- Infalibilidade diz respeito à legitimidade absoluta da Bíblia em questões de doutrina.
- Inerrância diz respeito à legitimidade absoluta da Bíblia em afirmações de fatos científicos e históricos. Em outras palavras, a Bíblia não possui erro de natureza nenhuma.
- Fonte Ética diz respeito à legitimidade da Bíblia em questões de moral, fé e prática.
Todos esses conceitos dependem de
seu correto significado para pressupor de que o texto da Bíblia foi
interpretado de maneira certa. Assim, partindo de um dos pressupostos acima,
tem-se um panorama da hermenêutica do texto que leva em consideração
a intenção do autor que escreveu, quer seja literal, histórica, alegórica,
simbólica ou poética. A doutrina da inerrância, por exemplo, é entendida de
várias formas, de acordo com o peso dado pelo intérprete.
Catolicismo e ortodoxia oriental
Tanto para a Igreja Católica quanto para Igreja Ortodoxa Oriental, existem dois tipos de revelações: a Bíblia e a Tradição. Ambos são interpretados pelos
ensinamentos da igreja.
Na terminologia católica, o ofício
de ensinar é chamado de Magistério (do latim magistra). Na
terminologia Ortodoxa a autêntica interpretação da Escritura e da Tradição é
limitada ao Direito Canônico dos concílios ecumênicos. Ambas as fontes de revelação são consideradas necessárias para a boa
compreensão dos princípios da fé. A visão da Igreja Católica está claramente
expressa em seu Catecismo (1992):
§ 83: Como resultado, a igreja,
para quem a transmissão e interpretação de Apocalipse foi confiada, não deriva
a sua certeza sobre todas as verdades das Sagradas Escrituras sozinha. Tanto
a Escritura quanto a Tradição devem ser aceitas e honradas com igual sentimento
de devoção e reverência.
§ 107: Os livros inspirados
ensinam a verdade. Desde que tudo o que os autores inspirados afirmam deve ser
considerado como afirmado pelo Espírito Santo, temos de reconhecer que os
livros da Escritura firmemente, fielmente e sem erro de ensinar a verdade que
Deus, por causa da nossa salvação, quis ver confidenciou a Sagrada Escritura.
Protestantismo
Os protestantes defendem a doutrina do sola scriptura, cujo significado em latim é
"somente a Bíblia". Eles acreditam que a regra de fé, prática e a
interpretações devem levar em consideração exclusivamente os ensinamentos das
Escrituras. A tradição não é fonte de autoridade para o protestantismo.
Como a autoridade das denominações
protestantes derivam exclusivamente da Bíblia, suas doutrinas estão sempre
abertas a reavaliações. Essa abertura à revisões doutrinárias deu base para as
tradições protestantes liberais reavaliarem as doutrinas da Escritura em que a Reforma foi fundada. Os membros dessa tradição chegam a questionar se a
Bíblia é infalível em questões doutrinarias, se é inerrante em outras
declarações factuais e históricos e se Ela tem autoridade divina única. As
adaptações feitas pelos protestantes modernos a sua doutrina das Escrituras
varia muito de denominação para denominação.
Protestantes e evangélicos fundamentalistas
Alguns evangélicos americanos
conservadores acreditam que as Escrituras tem sua origem da união entre o
Divino e o humano: humanos em sua composição; e divino em sua fonte que é Deus. Os evangélicos acreditam que o Espírito Santo guiou os escritores da Bíblia de
tal forma que eles não escreveram nada contrário à verdade. Os cristãos fundamentalistas também aceitam a autoridade da Bíblia para questões morais, éticas e
científicas.
Para os evangélicos
fundamentalistas isso se aplica especialmente a questões como ordenação de mulheres, aborto, evolução e homossexualidade. No entanto, embora a maioria dos
protestantes se posicionem contra essas questões, um número cada vez maior do
protestantismo está cada vez mais dispostos a considerar que as opiniões dos
autores bíblicos são culturalmente condicionado. Essa ala do protestantismo
argumenta que há espaço para mudanças juntamente com as normas culturais e os
avanços científicos.
A maioria dos cristãos
fundamentalistas e dos evangélicos professam a crença na inerrância da Bíblia, ou seja, que os autógrafos originais das Escrituras Sagradas não possuem
qualquer tipo de erro.
Já os protestantes mais liberais
evitam interpretações da Bíblia que contradiz diretamente as afirmações
científicas que são geralmente aceites de fato. Eles não imputam erro aos
autores bíblicos, mas entendem que as pessoas que escreveram a Bíblia tinham em
mente determinadas intenções literárias que poderiam dar credibilidade para o
progresso humano no conhecimento do mundo ao mesmo tempo em que aceitavam a
inspiração divina das Escrituras.
Para os que acreditam na
inerrância da Bíblia, a Declaração de Chicago sobre a
Inerrância Bíblica (1978) formalizou as visões
evangélicas sobre esta questão. Em resumo, essa declaração afirma que a Bíblia
é:
“
|
total e verbalmente
dada por Deus, sem erro ou falha em tudo o que ensina, quer naquilo que
afirma a respeito de Deus que atuou na criação, quer seja sobre os
acontecimentos da história mundial e sobre a sua própria origem literária
dada pela Inspiração do Espirito Santo, que em seu testemunho nos concedeu a
graça salvadora de Deus na vida individual.
|
MARIOLOGIA
Hiperdulia
|
Hiperdulia • Imaculado Coração • Sete Alegrias • Sete Dores • Títulos • Santo Rosário • Escapulário do Carmo • Direito Canônico
|
Aparições
Crenças reconhecidas ou dignas de culto Guadalupe • Medalha Milagrosa • La Salette • Lourdes • Fátima • Caravaggio • Prouille |
Hiperdulia (do grego υπερδουλεια; «alta veneração») é um termo teológico utilizado pelas Igrejas Católica e Ortodoxa que significa a honra e o culto de veneração especial devotados a Nossa Senhora.
Este culto à Nossa Senhora é feito através da liturgia, que é o culto oficial e obrigatório da Igreja Católica, e também, em maior intensidade, através da piedade popular, que é o culto católico privado. No campo da piedade popular, destacam-se as devoções feitas à Virgem Maria, como por exemplo o Santo Rosário, o Angelus, o Imaculado Coração de Maria, a peregrinação aos lugares onde Maria apareceu, as procissões, etc.
A hiperdulia, que está inserido na dulia, diferencia-se muito da latria, que é o culto de adoração prestado e dirigido unicamente a Deus.
Igreja Católica
A Igreja
Católica é
famosa na devoção a seus santos e principalmente a Maria. A Igreja afirma a
diferença de culto a Deus, aos santos e a Maria. Assim, diz adorar somente
a Deus, prestando-lhe culto de "latria", a Maria somente venerar com
o culto de "hiperdulia" e aos santos o culto de veneração simples
denominado de "dulia", fundado no dogma da comunhão dos santos. Este dogma ensina que os
habitantes do Céu, através da sua oração, são os nossos intercessores junto de Deus, sendo este
facto favorável ao género humano. Logo, eles são dignos da nossa veneração.
A veneração especial à Virgem Maria deve-se ao facto de ela ser
a Mãe
de Deus, e
por extensão, a mãe espiritual de toda a humanidade; a Rainha de todos os Santos e concebida sem pecado original (Imaculada Conceição); e, como tal, a intercessora mais poderosa da humanidade
junto de Deus, em particular junto de seu Filho Jesus.
Perspectiva protestante
A maioria das denominações protestantes (nomeadamente as de caráter pentecostal), não admitem o culto de veneração aos Santos e à Virgem Maria do catolicismo, sendo que para os integrantes dessas religiões, o culto de veneração seria considerado como idolatria. Em alguns casos esta acusação provoca atos de intolerância e violência por parte de protestantes[1] , como a destruição de imagens na Holanda[2] e o "Chute na Santa".[3]Mas, sobre esta questão, os grupos religiosos praticantes da veneração, além de salientar a diferença entre a adoração e a veneração, negam ter qualquer relação com a idolatria, e sustentam que a própria Bíblia oferece exemplos de intercessão (Jer 15, 1), veneração (Josué 7, 6) e confecção de imagens (Ex 25,18-19), também argumentam que idolatria é o culto de adoração que se presta a uma criatura, ou idéias, prestando a ele o culto que só se deve a Deus.
A idolatria, para os cristãos, está inclusa nos chamados pecados de superstição.
O Concílio de Trento afirmou que "São ímpios os que negam que se devam invocar os santos, que gozam já da eterna felicidade no céu. Os que afirmam que eles não oram pelos homens, os que declaram que este pedido por cada um de nós é idolatria, repugna a palavra de Deus e se opõe a honra de Jesus Cristo, o maior mediador entre Deus e os homens". [4]
Ver também
- Igreja Católica
- Dulia
- Devoção mariana
- Culto cristão
- Doutrina da Igreja Católica
- Veneração de imagens
O culto a Maria: uma criação do papado
José Miranda
Rocha, D.Min.
Professor de Teologia Pastoral no SALT, Unasp, Campus Engenheiro Coelho, São Paulo
Professor de Teologia Pastoral no SALT, Unasp, Campus Engenheiro Coelho, São Paulo
Resumo: O presente trabalho focaliza a maneira como o culto à pessoa de Maria,
mãe de Jesus, tornou-se uma das características marcantes do catolicismo
romano. Além de investigar as raízes históricas dessa forma de culto, o autor
compara-a com o testemunho das Sagradas Escrituras. O artigo conclui com uma
apreciação bíblica dos dogmas católicos relacionados a Maria: a maternidade
divina, a virgindade perpétua, a imaculada concepção e a assunção corporal.
Introdução
Em matéria publicada no jornal O Globo, Leneide Duarte observou,
em 1998, que “a Santíssima Trindade pode estar com os dias contados”. Sua
afirmação baseava-se em um estudo da Igreja Católica prestes, então, a
proclamar um novo dogma sobre a virgem Maria, elevando a mãe de Jesus à posição
de quarta pessoa da divindade, em “pé de igualdade com o Pai, o Filho e o
Espírito Santo”, com papéis múltiplos, pois seria venerada como “filha do Pai,
mãe do Filho e esposa do Espírito Santo”.1
A possibilidade de uma decisão como aquela resultava de um pedido formulado
pelas assinaturas de mais de quatro milhões de pessoas, representando católicos
de 157 países, dentre os quais figuravam nomes famosos, como o de Madre Teresa
de Calcutá, aproximadamente 500 bispos e 42 cardeais, incluindo o famoso John
O’Connor de Nova Iorque, o polonês Joseph Glemp e 18 cardeais do próprio
Vaticano.2
O líder da petição, o teólogo Mark Miravalle, professor da Franciscan
University em Steubenville, Ohio, mostrava-se à época muito confiante de que
João Paulo II decretasse o novo dogma, por meio de sua autoridade papal, aceita
como infalível e irrevogável pelos católicos romanos. Tal decreto elevaria essa
doutrina ao mais alto nível de verdade revelada.3
A petição de Miravalle e de mais de quatro milhões de católicos ao redor do
mundo representava o anseio de uma vitória da teologia católica na comemoração
do jubileu do ano 2000, mas provou ser um obstáculo para as pretensões papais
de unir os cristãos de diferentes denominações sob sua liderança. Houve reação
contrária mesmo entre os católicos de outros segmentos, como os ortodoxos e
anglicanos, provocando a formação de uma comissão de 23 teólogos mariologistas,
que, por unanimidade, desaconselharam a promulgação do novo dogma.4
A expectativa dos católicos romanos que almejavam ver promulgada por
decreto papal a divinização de Maria convida o mundo cristão não apenas a
oferecer oposição a uma tal investida de natureza teológica, mas, sobretudo, a
questionar se existe base bíblica para o culto à Virgem de Nazaré, visto que a
Bíblia é a única regra de fé e prática para o cristão. O presente artigo tem
como objetivo responder a tal questionamento. Primeiramente, será traçado o
perfil bíblico de Maria, de acordo com o testemunho da igreja apostólica. Em
seguida, serão focalizadas tradições pós-apostólicas referentes a Maria e as
implicações que geraram para o culto à mãe terrena de Jesus. Finalmente, a
questão será analisada em termos teológicos à luz dos postulados bíblicos da
doutrina da salvação.
O perfil bíblico de Maria
Nos quatro evangelhos
Maria é apresentada pelos evangelistas Mateus e Lucas como a
“virgem desposada com José” (Mt 1:18; Lc 1:27). O texto bíblico é silente
quanto aos pais da virgem, mas informa que ela habitava em uma cidade da
Galiléia chamada Nazaré, na época com uma pequena população entre 500 a 600
habitantes. Segundo Davis, com base na opinião de eruditos do Novo Testamento,
a genealogia de Cristo como aparece no Evangelho de Lucas mostra a sua linhagem
materna supondo, neste caso, que Heli teria sido o pai de Maria (Lc 3:23-38).5
O Evangelho de Marcos passa por alto a história natalina e apresenta o Messias
como adulto, sem, contudo, desconhecer o fato da encarnação. Ao referir-se à
rejeição de Jesus pelos habitantes de Nazaré, Marcos registra as palavras dos
habitantes daquela vila da Galiléia, como testemunho da historicidade de Maria:
“Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão?
E não vivem aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se nele” (Mc 6:3).
Os documentos lucanos, o Evangelho e Atos, apresentam Maria como uma
figura bem presente na história de Cristo, desde a Sua infância até ao período
pós-ressurreição, quando aparece em oração entre os apóstolos e discípulos:
“Todos estes perseveravam unânimes em oração, com as mulheres, com Maria, mãe
de Jesus, e com os irmãos dele” (At 1:14). Não é difícil enxergar Maria como
uma das fontes às quais Lucas recorreu para compor os quadros de “uma narração
coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os
que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra”. (Lc
1:1-2). Afinal, quem poderia contar com tantos detalhes de intimidade acerca da
visita de Maria a Isabel e do diálogo entre as duas mulheres grávidas, senão
uma delas ou ambas?
Certamente o evangelista Lucas foi inspirado por Deus ao registrar as
palavras do anjo dirigidas a Maria: “Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é
contigo… não temas; porque achaste graça diante de Deus… Descerá sobre ti o
Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso,
também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lc
1:28,30,35). Em casa de Isabel, sua prima, Maria é destacada novamente
como “bendita…entre as mulheres” (Lc 1:42), em vista de ter o Messias como o
fruto do seu ventre. Maior bem-aventurança não poderia haver para uma virgem de
Judá do que o fato de ter sido escolhida para ser a mãe do Salvador da
humanidade. Em Maria se cumpriam as mais anelantes expectativas
proféticas. A promessa pronunciada junto ao portal do Éden anunciava que no
decurso dos séculos o “descendente” da mulher esmagaria a cabeça da
serpente (Gn 3:15). Paulo reconheceu o cumprimento desta profecia no nascimento
do Filho de Maria. O apóstolo registrou que, ao nascer Jesus, chegara o
advento da “plenitude do tempo…para resgatar os que estavam sob a [condenação
da] lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4:4,5). Devemos
ainda lembrar que Lucas encerra o seu evangelho chamando a atenção dos leitores
para o perfil de Maria como judia fiel, obediente aos Dez Mandamentos, com
destaque, na ocasião, ao quarto mandamento e o sábado bíblico. Embora Lucas
23:54-56 não seja explícito em mencionar o nome de Maria, pode-se supor que ela
fazia parte das santas mulheres, vindas da Galiléia e que acompanharam a
crucifixão e o sepultamento de Jesus.
O apóstolo João abre o relato dos sinais operados por Cristo na
Galiléia dando destaque à presença de Maria na bodas de Caná (Jo 2:1-5).
Passada a festa nupcial, “desceu ele para Cafarnaum, com sua mãe, seus
irmãos e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias” (Jo 2:12). A presença
de Maria na vida do Messias, de acordo com João, estende-se desde o início até
ao final do Seu ministério. Ao pé da cruz, ali se encontra a mulher que
trouxera à luz da vida o Verbo Divino manifestado como ser humano. Para ela são
dirigidas palavras de atenção especial, como se Jesus desejasse circundá-la com
a mesma segurança da qual uma vez fora objeto em Sua vida terrena: “Vendo Jesus
sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois,
disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Desta hora em diante, o discípulo a tomou
para casa” (Jo 19:25-27).
Entre cristãos, não há discordância acerca destes conceitos sobre a
pessoa de Maria. Em todas as denominações cristãs, Maria é reconhecida
como uma pessoa especial, escolhida por Deus pela sua vida santa e devotada à
prática da religião. Segundo Cáio Fábio D’ Araújo Filho, “a mãe de Jesus
é vista nos evangelhos como uma bem-aventurada, eleita pela graça de Deus para
a mais sublime de todas as missões que um mortal já recebeu”.6
Paulo Pinheiro, editor de Sinais dos Tempos, afirma: “Maria, a mãe de
Jesus, foi uma pessoa formidável”. Ao escrever o seu Comentário ao
Magnificat, Martinho Lutero declarou que “Maria é a mulher mais sublime da
Terra”.7
Ellen G. White apresenta-a como uma fonte de sabedoria e instrução para Jesus,
“sua mãe foi-lhe a primeira professora humana”.8 Para
White, “as próprias palavras por Ele [Jesus] ditas a Moisés para Israel,
eram-lhe agora ensinadas aos joelhos de Sua mãe”.9
Augustin George, professor de Novo Testamento da Faculté Catholique de
Théologie de Lyon, França, declara que, “por sua fé, seu amor e sua humildade,
[Maria] é a bela flor de seu povo e toda a raça humana”.10
Na igreja apostólica
Além da unanimidade quanto à santidade e piedade de Maria enquanto
pessoa humana e mãe de Jesus, quase todas as denominações cristãs, à exceção
dos católicos, também concordam em afirmar que na igreja apostólica não havia
nenhuma veneração ou culto a Maria. A primeira razão pode ser encontrada
na própria religião professada pela Virgem e seu povo. O judaísmo
baseava-se nas Escrituras do Antigo Testamento, cujas prescrições apontavam
para Deus Criador como o Único merecedor de honra e adoração por parte dos
homens. Os dois primeiros mandamentos do Decálogo eram explícitas proibições
de idolatria e a constante lembrança de que unicamente Deus deveria ser adorado
ou venerado. (Êx 20:3-6; Dt 6:1-4).
Um segundo argumento assegura que a própria virgem Maria expressa sua
fé nos moldes bíblicos, ao entoar as estrofes de seu cântico de louvor, o “Magnificat”,
em Lucas 1:46-47. Para Maria, não havia lugar para outro Deus a quem ela
chama de “Senhor” e “meu Salvador”. Ainda que não compreendesse
completamente o mistério da encarnação de Cristo, ela tinha a certeza de que “o
Ente santo” nascido de seu ventre era o Filho de Deus prometido pelas antigas
profecias (Lc 1:35). Com base nessa confiança, ela “guardava todas estas
palavras [ditas pelo anjo], meditando-as no coração” (Lc 2:19). A compreensão
de seu papel na história da salvação pode ser entendida pelo conselho dado por
ela aos serventes da festa de Caná: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo
2:5). Deus não Se contradiz. Tomando como ponto de partida que
Jesus é Deus, seria incoerente pensar que Ele ordenaria cultuar um ser criado,
ainda que fosse o mais santo e sublime entre os seres humanos, como era o caso
de Sua mãe.
A despeito dos mais exaltados conceitos de piedade expressos em sua
vida, Maria revela, pelo menos em duas ocasiões, traços da humanidade
pecadora. A primeira, ao perder Jesus durante as comemorações da Páscoa
(Lc 2:48-51); a segunda, ao tentar, com o auxílio dos irmãos de Jesus,
retirá-Lo do ministério público (Mc 3:31-35). Em todo o Novo Testamento não há
nenhuma motivação para que Maria fosse venerada ou adorada. Pelo contrário,
dos lábios de Jesus saiu uma séria reprovação para uma mulher que parecia
insinuar qualquer atitude nessa direção (Lc 11:27-28). Quase quatro décadas
após a morte e ascensão de Jesus, ao escrever o livro de Atos, Lucas registra
que “Todos estes [os apóstolos] perseveravam unânimes em oração, com as
mulheres, estando entre elas Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele” (At
1:13-14). Ela era uma discípula como todos os que perseveram na fé, sem
qualquer menção de status espiritual diferenciado em relação aos demais.
Não havia qualquer indício de reconhecimento da superioridade de Maria por
parte dos outros seguidores de Cristo. O relato é coerente com os quatro
evangelhos, nos quais se percebe que tanto a mãe como o próprio Filho nunca
incentivaram qualquer atitude de veneração ou adoração à sua pessoa. Ela
era uma crente em Cristo que demonstrava tanta necessidade de Deus como todos
os outros pecadores. Assim, se não foram os cristãos primitivos que iniciaram o
culto a Maria, quando e como tal prática começou a ter lugar?
Tradições pós-apostólicas
É difícil precisar quando o culto à mãe de Jesus emergiu na igreja
cristã. Não há documentos que comprovem atos de adoração a Maria até o
final do quarto século.11
“Se nós nos aproximarmos dos textos marianos do segundo século com a esperança
de que eles possam refletir fontes adicionais independentes para a questão
sobre Maria, o resultado é desapontador.”12
Entre os Pais da Igreja havia dissensões acerca da pessoa da Virgem. Atanásio a
enaltecia em seus escritos, mas Crisóstomo mostrava-a falível como qualquer
pecador, chegando mesmo a ressaltar seus momentos de descrença e vanglória.13
“Justino Martir, Irineu e Tertuliano sugeriram que, como Eva havia sido a fonte
do pecado e da morte, Maria trouxe a bênção da redenção ao mundo.”14
Mas, apesar de não haver qualquer evidência bíblica que ofereça suporte
ao culto a Maria, em sua decisão de afirmar e reafirmar a veneração da mãe de
Jesus na teologia e liturgia católica, o papado promulgou e tem sustentado
quatro principais conceitos dogmáticos15:
1. O dogma da maternidade divina
Em 431 d.C., no Concílio Geral de Éfeso, a controvérsia sobre as
naturezas divina e humana de Jesus levou a Igreja Católica a dar os primeiros
passos para o estabelecimento do dogma de Maria como “Mãe de Deus”. O argumento
para se chegar a tal consenso encontrava sua força na filosofia grega, que
postulava a impossibilidade de Deus entrar em contato com o universo material e
ainda permanecer como Deus. Assim, para que o nascimento do Deus-homem,
Cristo Jesus, se tornasse logicamente viável, haveria de ser imprescindível que
Maria fosse divina tanto quanto o seu Filho. Através deste dogma, Cristo é uma
pessoa divina e Maria é sua mãe. Argumentam os defensores do culto mariano que
“Maria é mãe de Jesus Cristo; ora, Jesus Cristo é Deus. Logo, Maria é mãe
de Deus”.16
As circunstâncias que implicaram na promulgação desse dogma lembram a
acirrada discussão teológica na qual a igreja de Alexandria e seu bispo Cirilo
se empenharam para defender a divindade de Cristo contra o nestorianismo.
Nestório, Patriarca de Constantinopla em 428 d.C., representando a escola
antioquiana de Cristologia, defendia a tese de que “a criatura não deu à luz o
incriável”, “o Verbo saiu dela, mas não nasceu dela”. Em seus sermões, Nestório
fazia declarações do tipo: “Não digo que Deus tem dois ou três meses de idade”.17
Certamente nessa época, a polêmica nestoriana causou grande abalo na
Igreja. Em agosto de 430, o papa Celestino condenou Nestório e deixou que
Cirilo pronunciasse doze anátemas sobre ele em novembro do mesmo ano.
Infelizmente, na tentativa de superar a polêmica gerada pelos nestorianos, a
decisão do Concílio de Éfeso foi depor Nestório do bispado, enviando-o à
reclusão da vida monástica em Antioquia, de onde cinco anos mais tarde viu-se
banido para o norte do Egito. Provavelmente morreu ali em 451. O Concílio de
Éfeso, cujas decisões foram oficializadas pelo Concílio de Calcedônia, não
somente livrou-se de Nestório como líder em oposição a Cirilo de Alexandria e
ao bispo de Roma, mas também dogmatizou a posição cristã sobre as duas
naturezas de Cristo pela declaração de que ambas coexistem nEle por meio de uma
união hipostática, isto é, distinguíveis entre si, mas unidas numa só pessoa.
Éfeso aplicou a Maria o termo grego Theótokos (“Mãe de Deus”), com a
intenção de reafirmar a plena deidade de Cristo, procurando anular a tese
nestoriana que se difundia pelo título de Christótokos (“Mãe de
Cristo”). Com a aplicação do termo Theótokos a Maria, a Igreja alegava
não declará-la como mãe da natureza divina de Cristo. Mas, por força da
filosofia grega, a Igreja dizia que a única maneira de dar à luz o imaculado
Cristo seria através da perfeição de sua própria natureza feminina.
Pelo século nono da era cristã, a influência grega tornou-se marcante
na mariologia ocidental, como se conhece do hino Ave Maris Stella, o
qual enaltece Maria como a “Estrela do Mar”.18
Na teologia Católica Romana, é como a “mãe de Deus” que Maria assume a função
de mediadora, não para tomar o lugar de Cristo como o único mediador entre Deus
e os seres humanos (1Tm 2:5), mas para intermediar entre Cristo e a humanidade,
como fez nas bodas de Caná (Jo 2:3).19
Concernentemente a esta declaração teológica acerca do status de Maria, todo
cristão deve lembrar, porém, que a humanidade de Jesus tinha de vir da
mulher em cujo seio foi gerado. Mas a Sua divindade não podia proceder da
mulher que não é divina. O efeito se prende à causa. Humano gera Humano. Jesus
Cristo é Deus com todos os atributos que O caracterizam. Como Deus, não teve
princípio nem fim, pois é co-eterno com a mesma Divindade. Maria, porém, era
somente humana porque a divindade é atributo imanente da Trindade. Divindade só
entra no sagrado patrimônio de cada uma das três pessoas divinas.20
O dogma da maternidade divina vem sendo defendido através dos séculos
por católicos orientais (coptas), ortodoxos e gregos, mas principalmente pelos
teólogos católicos romanos. Um desses renomados teólogos da Igreja Católica
Apostólica Romana, o brasileiro Clodovis Boff, referindo-se ao culto de Maria
entre os ortodoxos, afirma: “Em vez de crucifixo, os bispos ortodoxos carregam
consigo um retrato de Maria. Isso significa que eles trazem a sua igreja junto
do coração”. Boff ainda informa que, entre os cristãos coptas (Etiópia e sul do
Egito), um meio de saber se um viajante desconhecido pertence à fé católica é
perceber como ele ou ela se comporta diante das imagens da Virgem. “Se não
mostra afeição, é considerado inimigo do povo”, afirma Boff.21
O dogma de Maria como mãe de Deus é reafirmado pela Igreja Católica Romana nos
seguintes termos: Denominada nos Evangelhos ‘a Mãe de Jesus’ (João 2,1;
19:25), Maria é aclamada, sob o impulso do Espírito, desde antes do nascimento
de seu Filho, como ‘a Mãe de meu Senhor’ (Lucas 1:43). Com efeito, Aquele que
ela concebeu do Espírito Santo como homem e que se tornou verdadeiramente seu
Filho segundo a carne não é outro que o Filho eterno do Pai, a segunda Pessoa
da Santíssima Trindade. A Igreja confessa que Maria é verdadeiramente Mãe de
Deus (Theótokos).22
2. O dogma da perpétua virgindade
Maria é celebrada na liturgia da Igreja Católica Romana como a
“Aeiparthenos”, isto é, a “sempre virgem”. A declaração oficial da Igreja sobre
este pilar do culto mariano reza que o aprofundamento de sua [da Igreja]
fé na maternidade virginal levou a Igreja a confessar a virgindade real e
perpétua de Maria, mesmo no parto do Filho de Deus feito homem. Com efeito, o
nascimento de Cristo ‘não lhe diminuiu, mas sagrou a integridade virginal’ de
sua mãe.23
Esta posição vem sendo sustentada oficialmente pelos católicos desde o
Segundo Concílio de Constantinopla, em 553 d.C. O documento de Constantinopla
declarou que Maria foi virgem antes, durante e depois do parto. Este concílio,
tido como o 5º Concílio Ecumênico, considerou como anátema quem confessasse
posição contrária à decisão oficial: Se alguém não confessa que há
dois nascimentos de Deus Verbo, um, do Pai, antes de todos os séculos, sem
tempo e incorporalmente; outro nos últimos dias, quando Ele mesmo baixou dos
céus, se encarnou da santa gloriosa mãe de Deus e sempre Virgem Maria, e
nasceu dela; esse tal seja anátema.24
Contudo, um estudo das declarações dos Pais da Igreja, no segundo
século de nossa era, mostra que havia muita polêmica sobre a “virgindade
pós-parto”, o que deixa espaço apenas para se pensar no fato de que Maria foi
vista pelos primeiros cristãos como virgem antes de conhecer José, como seu
marido. Um exemplo disso é a posição de Tertuliano (160-220 d.C.), que em seu
tempo rejeitava o ensino da perpétua virgindade. Na esperança de combater o
erro doutrinário, Tertuliano cunhou a frase: Virgo quantum a viro, non virgo
quantum a partu (Virgem em termos de um marido, não-virgem em termos de dar
à luz).25
Mas o dogma encontrou em Jerônimo (345-420 d.C.) um ardoroso advogado. Ele
passou a defender a perpétua virgindade de Maria com tal erudição e poder que
logo este conceito não poderia ser mais desafiado.26
Os defensores do dogma afirmam que “nascido da Virgem Maria”, declaração usada
no Credo Apostólico, indicava doravante que Maria não apenas era virgem quando
concebeu, mas que permaneceu virgem após o nascimento de Jesus. Ensina-se
que suas palavras endereçadas ao anjo Gabriel – “Como será isto, pois não
tenho relação com homem algum?” (Lc 1:34) – eram a expressão de um voto de
perpétua virgindade. A dificuldade em explicar este voto acha-se no fato
de que Maria desposou José, conforme os Evangelhos, com todos os privilégios de
conjunção carnal que tinham direito os casais judeus.
3. O dogma da imaculada concepção
Agostinho foi o primeiro notável teólogo a declarar que Maria viveu
livre da prática do pecado. Mais tarde surgiu a discussão sobre se ela
teria sido também livre do pecado original, como Eva em sua inocência.
Tomás de Aquino (c. 1225-1274 d.C.) argumentava veementemente contra a
afirmação de que a popular “Nossa Senhora” houvesse sido concebida sem a mancha
do pecado original, porém admitia que entre a concepção e o nascimento de
Cristo a contaminação fora completamente removida por milagre divino para dar
ocasião ao nascimento do Ente Santo.
Durante o século 12 d.C. as influências começaram a dar suporte a
mariolatria, dentre as quais podem ser identificados o escolasticismo, as
cruzadas, o feudalismo e o conceito espiritual de amor. Anselmo de Cantuária
(1033-1109), conhecido como o pai do escolasticismo, exerceu grande influência
em benefício do culto a Maria, insistindo que ela partilhava na redenção. Eadmer
(c.1060-1124), um monge e historiador inglês, discípulo de Anselmo, produziu a
primeira detalhada exposição da doutrina da imaculada concepção de Maria. Ele
advogava a tese da imaculada concepção passiva de Maria, ou seja, sua concepção
teria sido isenta do pecado original, isto é sem a sua participação como ser
moral livre. Ele ligou a liberação de Maria do pecado original não apenas com
sua dignidade como a mãe do Redentor, mas também com a exaltada posição de
regente e imperatriz do universo.27
Dentre os que discordavam da tese defendida por Eadmer, Bernard de Clairvaux
destacou-se ao advertir aos católicos de Lyon, na França, em 1140 d.C., que a
doutrina não passava de um erro, visto que Maria foi santificada apenas depois
de sua concepção no útero de Ana. Clairvaux influenciou grandes teólogos, como
Petrus Lombardus, Alexandre Hales e Tomás de Aquino, os quais rejeitaram a tese
da imaculada concepção. O ponto em questão para esses lumens da teologia
católica era a dificuldade de isentar Maria do pecado original em comparação
com a consequente necessidade que toda a humanidade tem de redenção.
O crédito da solução do impasse teológico tem sido atribuído ao teólogo
franciscano William de Ware, posição que foi aperfeiçoada pelo seu brilhante
aluno John Duns Scotus (1308). Scotus ensinou que Maria foi redimida pelo Seu
Filho antes de seu próprio nascimento (dela), e, portanto, não esteve sob o
efeito do pecado original, tendo sido preservada deste pelo mais perfeito tipo
de redenção. Em 1476, motivado pelos ensinos do franciscano Scotus, o Papa
Sixto IV (1471-1484), aprovou a festa da “imaculada concepção”, defendida e amplamente
difundida pelos padres da Ordem de São Francisco.
No dia 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX, através da Bula
“Ineffabilis”, promulgou esta última posição como dogma.28
A proclamação foi assim redigida: A beatíssima Virgem Maria, no primeiro
instante de sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente,
em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada
imune de toda mancha do pecado original.29
Na verdade, Pio IX, por meio da Bula “Ineffabilis”, aprovava a
interpretação messiânica-mariana que busca base na distorcida interpretação de
Gênesis 3:15, Lucas 1:28 e 1:41. Os construtores dessa interpretação teológica
veem Maria como “a semente” da primeira mulher (Eva) em luta contra a semente
da serpente. Nesse caso, como afirmam, “a vitória de Maria sobre Satanás não
poderia ser completa e perfeita, se por algum momento ela tivesse estado sob
seu domínio”. Tal argumento abre espaço para deduzir que Maria, em consequência
de sua íntima associação com Cristo, “com Ele e por Ele manteve uma eterna
inimizade pela venenosa serpente, triunfou do mais admirável modo sobre ela [a
serpente], esmagando-lhe a cabeça com seu pé imaculado [de Maria]”. A Bula
dogmatizou essa interpretação sem levar em consideração o real significado da
passagem bíblica como um anúncio do protoevangelho destinado a antecipar aos
nossos primeiros pais e a seus descendentes de todas as eras, a vitória de Deus
sobre Satanás por intermédio do Messias, o Único Ser em condições de vencer o
grande conflito.30
Em Lucas 1:28, os mariólatras forçam as palavras do anjo Gabriel dirigidas a
Maria – “Ave Cheia de Graça” – como se graça fosse a declaração de uma
qualidade intrínseca que caracterizava a Virgem de Nazaré em sua perfeição
ímpar. Tratando-se de Lucas 1:41, os defensores da interpretação
messiânica-mariana afirmam que a bênção de Deus, declarada na saudação
inspirada de Isabel à sua bendita prima, é um paralelo sugestivo da equiparação
de Maria ao próprio Filho, pois ambos teriam sido, assim, isentos de todo
pecado.31
4. O dogma da assunção corporal
As mais primitivas versões desta lenda vêm do final do quarto século de
nossa era e retratam Maria sendo transportada, em corpo e alma, para estar no
céu com Jesus. A lenda não tem evidência histórica e é estranha às
Escrituras Sagradas, bem como contrária a todos os escritos dos três primeiros
séculos. A “festa da assunção” tem sido comemorada desde há muito tempo
no dia 15 de agosto, dentro do calendário cristão, mas somente foi proclamada
como dogma do catolicismo romano pelo Papa Pio XII, em 1950, nos seguintes
termos: “Finalmente, a Imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha
da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e
alma à glória celeste. E para que mais plenamente estivesse conforme a seu
Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte, foi exaltada pelo
Senhor como Rainha do universo.”32
Alexander Hislop, em sua obra The Two Babylons, publicada
em 1917, rastreia o significado do título de “Rainha do Universo” aplicado a
Maria pelo papa Pio XII, em comparação com a mesma designação à “Rainha dos
Céus”, adorada pelos babilônios. Este culto, mais copiado pelos habitantes de
Judá, é denunciado em Jeremias 7:18 como uma das causas da decadência moral do
povo de Deus e sua consequente queda diante dos Babilônios. No caso, há
estreita semelhança entre o pensamento babilônio e o católico. Para os
babilônios, Semírames, mãe de Ninrode, divinizado após sua morte, torna-se a
Rainha dos Céus, retendo o poder e as riquezas do filho. “No longo prazo”,
porém, “a adoração à mãe praticamente ofuscou a adoração ao filho.”33
Embora o Concílio Vaticano II houvesse se posicionado com muita cautela
em relação ao culto à “virgem de Nazaré”, na tentativa de motivar e apressar o
diálogo para a unidade dos cristãos, a figura de Maria assumiu o papel de ícone
escatológico da Igreja sob o primado do Papa João Paulo II. A mais recente
edição do catecismo romano assim expressa essa posição:
Depois de termos falado da Igreja, de sua origem, de sua missão e de
seu destino, a melhor maneira de concluir é voltar a olhar para Maria, a fim de
contemplar nela (Maria) o que é a Igreja em seu mistério, em sua ‘peregrinação
da fé’, e o que ela (Igreja) será na pátria ao termo final de sua caminhada,
onde a espera na ‘glória da Santíssima e indivisível Trindade’, na ‘comunhão de
todos os santos’, aquela que a Igreja venera como a Mãe de seu Senhor e como
sua própria Mãe.34
Em sua luta para dirigir-se ao mundo contemporâneo, marcado pelo
individualismo e pluralismo, João Paulo II fez de cada viagem, encontro e
discurso um esforço para restaurar o culto da Virgem. Como exemplo motivador do
mundo católico, o falecido pontífice visitou os grandes centros de adoração a
Maria, tais como Guadalupe no México, o santuário da Black Madonna, na Polônia,
Knock, na Irlanda, entre outros. A estratégia seria fortalecer a família, a
castidade, o papel da mulher na igreja e, em contrapartida, reforçar o domínio
masculino. Esta ideia é explicada pela historiadora Claudete Araújo, ao
afirmar: na medida que Nossa Senhora é a representante da mulher que se
submete a Deus… Maria é encarada como divina, e o feminino divino está abaixo
do masculino divino… É o Deus masculino que concede poder a essa mulher-deusa.
Isso é representativo da hierarquia eclesiástica, bem como de uma certa ‘ordem
natural’ das coisas na sociedade”.35
Escolhendo a verdade
Qualquer estudante consciencioso das Escrituras Sagradas terá de
admitir que tanto o Antigo como o Novo Testamento rejeitam a ideia de que haja
um outro mediador entre Deus e os homens que não seja Jesus Cristo (1Tm
2:5). Até os santos e imaculados anjos recusaram assumir esta posição ao
rejeitarem a adoração de homens (Ap 19:9-10). Evidências bíblicas e históricas
apontam para o fato de que Maria nunca aceitou este papel, o qual também foi
explicitamente reprovado por Cristo. Por outro lado, Jesus não necessita,
como querem os defensores do culto mariano, de intermediários entre Ele e os
homens, pois o próprio Deus Pai O constituiu nosso único intercessor.
Cristo “pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre
para interceder por eles” (Hb 7:26). Conhecendo Sua natureza divina igual
à do Pai e à do Espírito Santo, Jesus nunca rejeitou a adoração dos seres
humanos (Mt 2:11; Mc 5:32; Jo 9:37; 20:28).
Como Paulo, Maria sabia perfeitamente que “todos pecaram e carecem da
glória de Deus” (Rm 3:23). Ela entendeu que apesar da “humildade de sua serva”
(Lc 1:48), Deus a escolhera para por meio dela operar a salvação da humanidade
com o advento do Redentor. Para os filósofos gregos era impossível Deus entrar
em contato com a humanidade pecadora e continuar sendo Deus. Mas o anjo
assegurou a Maria que até esta e todas as outras impossibilidades diante da
lógica humana seriam vencidas, “porque para Deus não haverá impossíveis em
todas as suas promessas” (Lc 1:38). Na mentalidade da Grécia, somente é
possível aquilo que pode ser compreendido e explicado pela mente humana. Mas o
Senhor, assim como seus planos, embora esteja ao alcance da lógica humana,
transcende em muito todo o conhecimento de nossa mente. Por isso, podemos,
baseados na Bíblia, afirmar Maria semelhante a nós pecadores, mas eleita por
Deus para ser a mãe do exaltado Salvador. Mistério? Sim, mas que o Senhor nos
revelará na eternidade. O perigo de idolatrar pessoas, ainda que santos pela
graça divina, reside em dois pontos, sendo o primeiro o risco de contrariarmos
a Palavra de Deus que estabelece nos dois primeiros mandamentos do Decálogo a
adoração como devida unicamente a Deus. Em segundo lugar, vem o risco de
removermos de Jesus Cristo a glória da salvação, transferindo-a parcial ou
totalmente a seres humanos pecadores. Em nossos dias, há notícia de que não
somente os católicos cometem esse erro fatal, mas até evangélicos se sentem
atraídos pela nova moda de cultuar os santos, revitalizada pela cruzada mariana
de João Paulo II, o pontífice que canonizou 482 santos durante o seu primado.
Ivan Padilla e Frederico Mengozzi dão notícia de que “determinados setores do
protestantismo revalorizam a imagem de Nossa Senhora; seguidores de outros
credos [a umbanda, por exemplo] também cultuam os mártires da igreja”. A
antropóloga Renata Menezes reconhece o fenômeno dizendo: “Os santos estão na
moda, viraram fashion.”36
Em conclusão, podemos declarar que não há base bíblica para o culto a
Maria. Se tal prática surgiu entre os cristãos, a razão principal deve ser
encontrada primeiramente no racionalismo grego que afetou negativamente a
interpretação da Palavra de Deus e, em segundo lugar, nas declarações
dogmáticas dos papas, em sua arrogância de infalibilidade presumida ao se
pronunciarem sobre os assuntos da fé cristã. Contudo, pode-se ainda perceber
que, apesar de tanto conhecimento advindo da difusão e estudo das Sagradas
Escrituras, o culto a Maria continua a sobreviver no mundo católico em virtude
do apego e defesa dos dogmas sustentadores desse erro doutrinário e blasfema
prática litúrgica defendida e amplamente incentivada pelo Papa João Paulo II.37O
risco agora ameaça a salvação de todos (sejam cristãos católicos ou não) que
vivem, por força de variadas circunstâncias no ambiente de idolatria.
Referências
1 Leneide Duarte, “A mulher na Igreja,
de Eva à Virgem Maria”, O Globo, 28 de agosto de 1998, 7. ↑
4 Ibid. ↑
5 John D. Davis, Dicionário
da Bíblia, 2ª ed. (Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1960), 379. A
tradição identifica os pais de Maria com o nome de Joaquim e Ana. Ver
“Concepção da Santa Mãe de Deus, por Sant’Ana, a Avó do Senhor”, disponível no
site: www.eclesia.com.br/sinaxe/concepcao_sant_ana.htm ↑
6 Rev. Cáio Fábio D’ Araújo Filho,
“Maria, Maria! Uma espada fere o teu coração”, Vinde, outubro de 1997,
58. ↑
7 Camila Artoni e Pablo Nogueira, “A
face feminina de Deus”, Galileu, dezembro de 2003, 20. ↑
8 Ellen G. White, Orientação da
Criança (Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1962), 19. ↑
9 Idem, Desejado de Todas as Nações,
23ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2003), 70. ↑
10 Augustin George, “Maria”, em Enciclopedia
de la Bíblia, (Barcelona: Ediciones Garriga, 1963), 4:1134. ↑
11 D. G.
Stewart, “Mary, Mother of Jesus”, em The Zondervan Pictorial Encyclopedia of
the Bible, (Grand Rapids, MI: Zondervan, 1975), 4: 111. ↑
12 Raymond
E. Brown, Karl P. Donfried, Joseph A. Fitzmeyer e John Reumann, eds. Mary in
the New Testament (Philadelphia, PA: Fortress Press, 1978), p. 257. Esta
é uma obra publicada com a colaboração de eruditos protestantes e católicos,
tendo em vista o diálogo ecumênico. ↑
13 Thomas
Bokenkotter, Essential Catholicism: Dynamics of Faith and Belief (Nova
York: Doublebay, 1986), 127. ↑
14 Alberto R. Timm, “Veneração de
Maria: Como surgiu o dogma católico da veneração de Maria?” Sinais dos
Tempos, setembro-outubro de 2003, 30. ↑
15 Ibid. ↑
16 Rosalino da Costa Lima, O Culto
da Virgem Maria (Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1954), 30. ↑
17 H. Grifftith, “Nestório,
Nestorianismo”, em Walter A. Elwell, Enciclopédia Histórico-Teológica da
Igreja Cristã (São Paulo: Vida Nova, 1990), 3:18. ↑
18 Ibid. ↑
19 Stewart, 111. ↑
20 Lima, 30. ↑
21 Camila Artoni e Paulo Nogueira, “A
face feminina de Deus: o Culto a Maria muda o perfil da espiritualidade cristã
e reforça o misticismo”, Galileu, dezembro de 2003, 20. ↑
22 Catecismo da Igreja Católica,
ed. rev. (Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 1998), 140. ↑
23 Ibid, 141. ↑
24 www.mercaba.org, “Segundo Concílio de Constantinopla”, ano
553, canon 2, (grifo acrescentado). ↑
29 Catecismo da Igreja Católica,
139. ↑
30 Atos 4:12; Apocalipse 12:7-12. ↑
31 Gercione Lima, “A imaculada
conceição da Virgem Maria”, artigo baseado no livro do Dr. Ludwig Ott, Fundamentos
do Dogma Católico, disponível no site www.milicia.org.br/index.asp?=imac/dogma2.asp
↑
32 Catecismo da Igreja Católica,
273. ↑
33 David Bay, “Adoração à Virgem Maria
e às Deusas Pagãs”, artigo sem autor, disponível no site: http://www.espada.eti.br/ce1008.asp
↑
34 Catecismo da Igreja Católica,
275. ↑
35 Camila Artoni e Paulo Nogueira, “A
face feminina de Deus”, Galileu, 26. ↑
36 Ivan Padilla e Frederico Mengozzi,
“A força dos santos”, Época, 28 de março de 2005, 61-67. ↑
37
Winthrop S. Hudson, Religion in America, 4ª edição (Nova York:
MacMillan Publishing Company, 1988), 397. ↑
Fonte: Revista Parousia, 1° Semestre de
2005, UNASPRESS
Dogmas e doutrinas marianas da Igreja Católica
Dogmas e Doutrinas
|
Aparições
Crenças reconhecidas ou dignas de culto Guadalupe • Medalha Milagrosa • La Salette • Lourdes • Fátima • Caravaggio • Prouille |
Os Dogmas e doutrinas marianas da Igreja
Católica têm a sua fundação na visão central de que a Virgem
Maria é a Mãe de Deus, devido a isso, a Igreja Católica sempre
considerou Maria a figura mais importante do cristianismo
e da salvação
depois da Santíssima Trindade, por conseguinte, a Igreja
possui muitos ensinamentos e doutrinas em relação a sua vida e papel.
A Igreja Católica possuí uma disciplina específica
para o estudo da pessoa, o papel e o significado da Virgem Maria, e sua veneração,
esta é a disciplina da Mariologia. A doutrina mariana tem se desenvolvido ao
longo de muitos séculos, e foi estudada e codificada pelos Concílios, bem como pelos principais
teólogos das ordens religiosas e universidades marianas, Escolas Pontifícias,
como a Marianum
são especificamente dedicadas a este campo de estudo[1] [2] [3] . No entanto, revelações marianas por indivíduos
nem sempre são aceitos pela Igreja. [4]
[5]
Ensinamentos dogmáticos da Igreja Católica
- Imaculada Conceição – Concebida sem a mancha do pecado original. O Papa Pio IX, na Bula Ineffabilis Deus, fez a definição oficial do dogma da Imaculada Conceição, aos 8 de Dezembro de 1854.[6] :art.491
- Maternidade Divina - Maria é mãe de Deus. Porque se Jesus é Deus e Maria é mãe de Jesus, logo Maria é mãe de Deus.[6] :art.495
- Virgindade Perpétua - Virgem antes, durante e depois do parto.[6] :art.499
- Assunção aos Céus – Refere-se à elevação de Maria em corpo e alma ao Céu. Este dogma foi proclamado pelo Papa Pio XII em 1 de Novembro de 1950, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus.[7] :art.965
As igrejas ortodoxas e anglicanas na sua maioria aceitam alguns desses
dogmas. Os Ortodoxos aceitam o dogma da Maternidade Divina ao referir-se a
Maria como Theotokos, que significa "Mãe de Deus" (em grego). Alguns Anglicanos aceitam
referir a Maria como Theotokos. A Igreja do Oriente, uma das mais antigas
denominações cristãs, rejeita chamá-la de Theotokos. As confissões
protestantes não os aceitam ou mostram-se reticentes sobre o tema.[carece de
fontes]
Virgindade Perpétua
A Perpétua Virgindade de Maria ensina que Maria é virgem antes, durante
e depois do parto. Este dogma
mariano é o mais antigo da Igreja
Católica e Oriental Ortodoxa, que afirma a "real e
perpétua virgindade mesmo no ato de dar à luz o Filho de Deus feito homem."[8] Assim Maria foi sempre
Virgem pelo resto de sua vida, sendo o nascimento de Jesus como seu filho
biológico, uma concepção milagrosa.
No ano 107, Inácio de Antioquia já descrevia a virgindade de Maria. São Tomás de Aquino também ensinou esta doutrina (Summa theologiae III.28.2) que Maria deu
o nascimento miraculoso sem abertura do útero, e sem prejuízo para o hímen. Esta doutrina já era um dogma
desde o cristianismo primitivo, tendo sido declarada por notáveis escritores como São Justino Mártir e Orígenes. O Papa Paulo IV o reconfirmou no Cum
quorundam de 7
de Agosto
de 1555, no Concílio de Trento.
Maternidade Divina
A definição como Mater Dei (em latim) ou Theotokos (em grego) foi afirmado por diversos Padres da Igreja nos três primeiros séculos,
como Inácio
(107), Orígenes (254), Atanásio (330) e João Crisóstomo (400). O Terceiro Concílio Ecumênico, realizado em Éfeso decretou esta doutrina dogmaticamente em 431. A visão contrária,
defendida pelo patriarca de Constantinopla Nestório era que Maria devia ser
chamada de Christotokos, que significa "Mãe de Cristo",
para restringir o seu papel como mãe apenas da natureza humana de Cristo e não
da sua natureza divina.
Os adversários de Nestório, liderados por Cirilo de Alexandria, consideravam isto inaceitável, pois Nestório
estava destruindo a união perfeita e inseparável da natureza divina e humana em Jesus Cristo, uma vez que
em Cristo "O Verbo se fez carne" (João 1:14), ou seja o Verbo (que é Deus - João 1:1) é a carne; e a carne é o Verbo, Maria foi a mãe da
carne de Cristo e consequentemente do Verbo. Cirilo escreveu que "Surpreende-me
que há alguns que duvidam que a Virgem santa deve ser chamada ou não de
Theotokos. Pois, se nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, e a Virgem santa deu-o à
luz, ela não se tornou a [Theotokos]?"[9] A doutrina de Nestório foi
considerada uma falsificação da Encarnação de Cristo, e por conseqüencia, da
salvação da humanidade. O Concílio aceitou a argumentação de Cirilo, afirmou
como dogma o título de Theotókos de Maria, e anamatizou Nestório, considerando sua
doutrina (Nestorianismo) como uma heresia.
Imaculada Conceição
Na bula
papal
dogmática Ineffabilis Deus, foi feita a definição oficial do dogma da Imaculada Conceição; nela, em 8
de dezembro
de 1854 disse Pio IX: (...) que
a doutrina que defende que a beatíssima Virgem Maria foi preservada de toda a
mancha do pecado original desde o primeiro instante da sua concepção, por
singular graça de privilégio de Deus omnipotente e em atenção aos merecimentos
de Jesus Cristo salvador do gênero humano, foi revelada por Deus e que, por
isso deve ser admitida com fé firme e constante por todos os fiéis. [10]
Em 8
de setembro
de 1953, Pio XII através da Carta encíclica Fulgens corona anunciou a celebração do
"Ano Mariano" comemorativo do primeiro centenário da definição
do dogma da "Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria". Em 5 de dezembro de 2007, Bento XVI fez tornar público decreto
que concede indulgência plenária aos fiéis que
cumprirem as condições nele estabelecidas, por ocasião do "150º.
aniversário da manifestação da Beata Virgem Maria na Gruta de Massabielle,
próximo a Lourdes"[11]
Assunção da Virgem Maria
A Virgem Maria no fim de sua vida terrena foi elevada em corpo e alma à
glória celestial. Este dogma foi proclamado ex cathedra pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950, por meio da Constituição Munificentissimus Deus:
"Depois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a
luz do Espírito da Verdade, para glória de Deus onipotente, que outorgou à
Virgem Maria sua peculiar benevolência; para honra do seu Filho, Rei imortal
dos séculos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a glória da mesma
augusta Mãe e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso
Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e com a nossa,
pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a
Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida
terrena, foi assunta em corpo e alma à glória do céu".
O Papa
Pio XII
deixou liberadamente em aberto se Maria foi elevada aos céus após sua morte ou
ainda em vida.
Outras doutrinas
A Igreja Católica detém muitos outros ensinamentos sobre a Virgem
Maria, dos quais muitos são tão relevantes como os ensinamentos acima
definidos. Outros são antigos ensinamentos, cultos e celebrações, que sob a
orientação infalível do Espírito Santo, são uma parte integrante
do depósito de fé transmitida pela Igreja.
A devoção à Virgem Maria continua sendo ressaltada nos ensinamentos da
Igreja Católica, por exemplo, na sua encíclica Rosarium Virginis Mariae,
o Papa João Paulo II afirmou que foi inspirado pelos escritos de São Luís Maria Grignion de Montfort sobre a Total Consagração à
Santíssima Virgem Maria.[12]
Dormição de Maria
Não há registros históricos do momento da morte de Maria. Diz uma
tradição cristã, atestada por Hipólito de Tebas[13] , que ela teria morrido (Dormição
da Virgem Maria) no ano 41 d.C. e seu corpo depositado no Getsêmani.
Desde os primeiros séculos, usou-se a expressão dormitação, do lat. dormitáre,
em vez de "morte". Alguns teólogos e santos da Igreja Católica,
sustentam que Maria não teria morrido, mas teria "dormitado" e assim
levada aos Céus; outra corrente, diversamente, sustenta que não teria tido este
privilégio uma vez que o próprio Jesus passou pela morte.
Do ponto de vista oficial do magistério da Igreja Católica, sobre esta
matéria, nunca se duvidou da Assunção. Reservou-se ao dogma apenas o tema da
Assunção em si. Sobre a dormição de Maria, entretanto, João Paulo II assim se manifestou:
(...) O Novo
Testamento não dá nenhuma informação sobre as circunstâncias da
morte de Maria. Este silêncio induz supor que se produziu normalmente, sem
nenhum fato digno de menção. Se não tivesse sido assim, como teria podido
passar despercebida essa notícia a seu contemporâneos sem que chegasse, de
alguma maneira até nós?
No que diz
respeito às causas da morte de Maria, não parecem fundadas as opiniões que
querem excluir as causas naturais. Mais importante é investigar a atitude
espiritual da Virgem no momento de deixar este mundo. A este propósito, São Francisco de Sales considera
que a morte de Maria se produziu como efeito de um ímpeto de amor. Fala de uma
morte "no amor, por causa do amor e por amor" e por isso chega a
afirmar que a Mãe de Deus morreu de amor por seu filho Jesus (Tratado
do Amor de Deus, Liv. 7, cc. XIII-XIV).
Qualquer
que tenha sido o fato orgânico e biológico que, do ponto de vista físico, Lhe
tenha produzido a morte, pode-se dizer que o trânsito desta vida para a outra
foi para Maria um amadurecimento da graça na glória, de modo que nunca melhor
que nesse caso a morte pode conceber-se como uma "dormição". [14]
Maria é a Mãe de todos os cristãos
Maria é vista como mãe da Igreja e de todos os seus membros, ou seja,
todos os cristãos, pois os cristãos na Bíblia são parte do corpo de Cristo, a Igreja. Eles, portanto,
compartilham com Cristo a paternidade de Deus e também a maternidade de Maria.
Mais uma vez, no Novo
Testamento,
(João 19:26-27) o apóstolo João diz que Jesus na cruz é filho de
Maria. Santo Ambrósio de Milão (338 - 397), um dos doutores da Igreja, já cita este título. O Catecismo da Igreja Católica afirma:
"A Virgem Maria... É reconhecida e honrada como sendo
verdadeiramente a Mãe de Deus e do Redentor.... Ela é «claramente a mãe dos
membros de Cristo... Maria, Mãe de Cristo, Mãe da Igreja.» [15]
Medianeira
Jesus Cristo é o único mediador entre Deus e o homem. (I Timóteo 2:5). Ele sozinho conciliou o
homem com Deus através da sua morte na cruz. Mas isso não exclui um papel
secundário de Maria como medianeira, dependente de Cristo. O
ensinamento que Maria intercede por todos os crentes e, especialmente, aqueles
que pedem sua intercessão através da oração, remete aos primeiros séculos do
cristianismo, por exemplo a oração Sub tuum praesidium, escrita em grego aproximadamente em 250. Outra oração de Efrém
da Síria (306-373) afirma: Depois do
mediador, a medianeira de todo o mundo.[16]
Corredentora
Corredentora (português) ou Co-Redemptrix (latim) refere-se a participação
indireta de Maria no processo de salvação. Mesmo antes do ano 200, Ireneu de Lyon refere-se a Maria como "causa
salutis" (causa de nossa salvação) devido ao seu filho.[17] O ensinamento tornou-se
universal desde o século
XV[18] , mas nunca foi declarado
um dogma, embora petições para declara-ló (juntamente com Medianeira) dogmaticamente, tenham
sido submetidos ao papa por vários cardeais e
bispos, tornando-se assim o quinto dogma mariano aprovado pela Santa Sé. [19]
O conceito de corredentora remete para uma participação indireta, mas
importante da Virgem Maria na redenção, pois Maria deu à luz o Redentor (Jesus Cristo), que é o responsável por
toda a redenção e salvação, assim ela foi mediadora de
redenção. Os católicos creem que Cristo é o único Redentor da humanidade (I Timóteo 2:5), sendo que a própria Maria
teve de ser redimida e resgatada por Jesus Cristo.[20]
Rainha do Céu
A doutrina de que a Virgem Maria foi coroada Rainha do Céu remonta ao início da
Igreja, para escritores tais como Gregório de Nanzianzo, que afirma que Maria é "a Mãe do Rei do
universo," e a "Virgem Mãe, de quem surgiu o Rei de todo o
mundo", [21] Efrém
da Síria já
a considerada Rainha do Céu.[22]
A Igreja Católica muitas vezes vê Maria como rainha do céu, ostentando uma
coroa de doze estrelas na Revelação. (Apocalipse 12:1-5)
Muitos Papas homenageram Maria com este título: Maria é a Rainha do
Céu e da Terra, (Pio
IX), Rainha
do Universo (Leão
XIII) e Rainha
do Mundo (Pio
XII) [23] O fundamento teológico e
lógico desses títulos repousa no dogma de Maria como a Virgem Mãe de Deus, que
reina ao longo de todo o mundo, sendo celestialmente bem-aventurada com a
glória de uma Rainha. [24]
Certamente, no pleno e rigoroso sentido do termo, somente Jesus Cristo,
o Deus-Homem, é Rei, mas Maria, também, como Mãe do divino Cristo, (...) tem
uma participação, embora de forma limitada e de modo análogo, em sua dignidade
real. A união radiante (...) que ela atingiu com Cristo transcende o de
qualquer outra criatura; de sua união com Cristo ela recebe o real direito de
dispor dos tesouros do Divino Redentor do Reino, de sua união com Cristo
finalmente é derivada a inesgotável eficácia de sua materna intercessão do
Filho e do seu pai.[25]
Este ensinamento segue o precedente bíblico da antiga Israel, cuja monarquia, segundo o cristianismo,
passou para Jesus. Ele será grande e será chamado o Filho do Altíssimo, e o
Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai David. (Lucas 1:32) No Antigo Testamento os reis de Israel e Judá,
como David ou Salomão possuíam muitas esposas. O
título de Rainha, portanto, não era concedido a qualquer mulher do rei, mas
para a mãe do rei. (I Reis 2:17-21; I Reis 15:13; Jeremias 13:18). A Rainha Mãe era
conhecida em hebraico como gebirah. Uma vez que Jesus é o rei celestial,
da linhagem de Davi e Salomão, Maria se tornou Rainha-Mãe.
Reparações à Virgem Maria
Há ensinamentos e tradições específicas como Atos de Reparação, ou seja, orações à Virgem Maria para os
insultos que ela sofre. O missal Católico Raccolta (aprovada por um
decreto de 1854, e publicado pela Santa Sé em 1898) inclui estas orações.[26]
[27] [28]
Estas devoções e orações não envolvem um pedido para si ou para um
falecido, mas destinam-se a reparar os pecados dos outros contra a Virgem
Maria.
Títulos
À Virgem Maria são atribuídos diversos títulos, que podem fazer
referência a suas virtudes, ou aos locais em que apareceu, tais como:
Lista dos nomes de Maria
Nome
|
Origem
|
Devoção
|
Nome de mulher: Maria d'Aires.
|
||
Relembra Maria junto à cruz, também implorando a Deus pelo
gênero humano;
|
Nome de mulher: Maria da Ajuda.
|
|
Relembra o pedido dos fieis para maria para aliviar as
dores;
|
Toponímicos;
|
|
Relembra Jesus crucificado, entregando Maria como Mãe de
todos os homens;
|
Nome de mulher: Maria do Amparo.
|
|
Relembra Maria, como rainha das cortes celestes e também
faz alusão à cidade de Assis, Itália,
local para onde havia sido levado um pedaço do túmulo da Virgem e se ouvia
sempre o canto dos anjos; A cidade de Los
Angeles, nos EUA, foi batizada com seu nome: Nuestra Señora la
Reina de Los Ángeles de Porciúncula;
|
Nome de mulher: Maria dos Anjo.
|
|
Nome de mulher: Maria da Anunciação.
|
||
Nossa Senhora Aparecida, ou da
Conceição Aparecida
|
Imagem encontrada no Vale do Paraíba (São
Paulo) que possui poderes milagrosos;
|
Padroeira do Brasil. Nome de mulher: Maria Aparecida.
|
Apresentação da Virgem - Apresentação da
Virgem no Templo de Jerusalém;
|
Toponímicos; Padroeira da cidade brasileira de Natal.
|
|
Na Arábia Saudita, Maria recebe este nome Nossa
Senhora da Arábia;
|
Nome de mulher: Maria da Arábia, padroeira
nacional.
|
|
Relembra a elevação de Maria, de corpo e alma, aos céus;
|
Nome de mulher: Maria da Assunção; Padroeira e
antigo nome da cidade de Fortaleza.
|
|
Relembra o auxílio de Maria ao Papa
Pio VII, durante o domínio napoleônico;
|
Nome de mulher: Maria Auxiliadora.
|
|
Nossa
Senhora Aparecida da Babilônia, ou da Aparecidinha
|
Imagem encontrada na Fazenda Babilônia em São Carlos e está no Santuário Nossa
Senhora Aparecida da Babilônia que possui poderes milagrosos;
|
Padroeira Regional. Nome de mulher: Aparecida da
Babilônia.
|
Apareceu para uma criança na década de 1930 na Bélgica;
|
Nome de mulher: Banneaux.
|
|
Relembra a maternidade de Maria, na cidade de Belém;
|
Nome de mulher: Maria de Belém; canções natalinas.
|
|
Relembra a proteção de Maria na hora dos partos e na hora
da morte;
|
Nome de mulher: Maria da Boa Hora.
|
|
Proteção aos agonizantes;
|
Nome de diversas confrarias.
|
|
Maria é que traz aos homens a Boa Nova (Evangelho)
do nascimento de Jesus;
|
Nome de mulher: Maria da Boa Nova.
|
|
Relembra Maria como protetora dos portugueses que partiam
nas viagens de descobrimento do Novo Mundo;
|
Toponímicos;
|
|
Toponímicos;
|
||
celebra o prestígio de Maria perante Deus, pelo despacho
da encarnação do Verbo;
|
Toponímicos;
|
|
Nascimento de Jesus, tendo Maria permanecido virgem antes,
durante e depois do parto;
|
Toponímicos;
|
|
Toponímicos;
|
||
Relembra o auxílio da Mãe de Deus para os que almejam
sucesso em seus tratamentos de saúde e nos seus empreendimentos materiais;
|
Toponímicos;
|
|
relembra as inúmeras graças concedidas, por seu
intermédio, aos brasileiros;
|
Paróquia célebre de São Paulo.
|
|
Relembra o fato de folhas brotarem numa altar de Nossa
Senhora, no início do povoamento de Cuiabá, no
estado de Mato Grosso, no século
XVIII; também venerada em Piraí
do Sul, após um milagre envolvendo a estampa de Nossa Senhora deixada com uma
moradora da cidade por Santo Antônio
de Sant'anna Galvão.
|
Toponímicos;
|
|
Toponímicos;
|
||
relembra a proteção de Maria, no século
XV, quando protegeu os portugueses, na sua esperança de chegar às Índias,
dobrando o Cabo das Tormentas;
|
Toponímicos;
|
|
Relembra a Purificação da Virgem no Templo, comemorada com uma procissão
luminosa;
|
Nome de mulher: Maria Candelária; célebres
paróquias do Rio de Janeiro, de Itu e de Natal, além da Igreja Catedral Nossa
Senhora da Candelária de Corumbá,
e da Igreja Catedral Nossa Senhora da Luz
em Guarabira;
|
|
Cruz de Caravaggio.
|
||
Nossa Senhora do Carmo, do
Monte Carmelo
|
Relembra o convento construído em honra à Virgem, nos
primeiros séculos do cristianismo, no Monte Carmelo, na Samaria;
|
Toponímicos;
|
Originária de cerimonial de carpição ou capina de um
terreno onde foi ereta uma capela dedicada à Virgem Maria, em São José dos Campos, São
Paulo, no século XIX;
|
Toponímicos;
|
|
Nossa Senhora de Ceuta ou do
Bastão
|
Relembra o auxílio da Virgem Ana conquista de Ceuta, por Dom João I; sua imagem traz um rico bordão na
mão, donde vem o termo do Bastão;
|
Toponímicos;
|
Relembra que Santa Ana
concebeu Maria, pura sem pecado.
|
Prenome feminino: Maria da Conceição, Conceição
|
|
relembra a Virgem como “Consoladora dos aflitos”, devoção
iniciada por Santa Mônica;
|
Paróquia de São Paulo;
|
|
Imagem esculpida por um índio, Francisco Tito Iupanqui, no
século
XVI, na aldeia de Copacabana, às margens do Lago
Titicaca;
|
Toponímicos;
|
|
Relembra a correia da cintura da Virge Maria, símbolo de
pureza, com que as mulheres judias eram cingidas desde a infância;
|
Toponímicos;
|
|
Confrarias;
|
||
Relembra que a Virgem Maria liberta os homens das aflições
da vida, desata os nós que os escravizam;
|
Célebre pintura de Johann Schmittdner (1700).
|
|
Toponímicos. Antigo nome de Florianópolis
e de Jundiaí.
|
||
Confrarias;
|
||
Relembra que a Virgem confiou plenamente na Divina
Providência, entregando-se totalmente a Deus;
|
Confrarias;
|
|
Nome de mulher: Maria do Divino Amor.
|
||
Nossa Senhora das Dores (ou da
Piedade/da Soledade/ das Angústias/ das Lágrimas/ das Sete Dores/ do
Calvário/ do Pranto)
|
Refere-se às sete dores da Virgem Maria: a profecia de Simeão, a fuga para o Egito, a perda do menino Jesus, o
encontro no caminho do Calvário, a morte de Jesus, o golpe da lança
e a deposição da cruz e o sepultamento de Cristo.
|
Nome de mulher: Maria das Dores.
|
Relembra a encarnação do Verbo no seio puríssimo da
Virgem;
|
Nome de mulher: Maria da Encarnação.
|
|
A Virgem é comparada à “Escada de Jacó”, que liga o céu e a terra. Também
faz alusão aos trinta e um degraus que davam aceso a um santuário de Lisboa;
|
Confrarias e toponímicos;
|
|
Relembra a Virgem na esperança e na iminência do parto
divino;
|
Confrarias; antigo santuário construído em 930, em Mazières;
imagem trazida por Pedro Álvares Cabral, em sua viagem do
descobrimento do Brasil.
|
|
Confrarias;
|
||
Ela aparece mostrando poder e reinado com uma coroa de 12
estrelas e derrotando o dragão de sete cabeças e dez chifres (simbolizando os
nossos problemas);
|
Padroeira das pessoas que passam por dificuldades e
tribulações.
|
|
Nossa Senhora da Família, Rainha
da Família
|
Invocação (Regina Familiæ) mandada acrescentar às "Ladainhas
Lauretanas",
em 1995, pelo Papa
João Paulo II;
|
Padroeira do Pontifício Conselho para a Família.
|
Nossa Senhora de Fátima, do
Rosário de Fátima
|
Aparição em Fátima (Portugal)
|
Prenome feminino: Maria de Fátima ou apenas "Fátima";
Santuário de Fátima.
|
Nome de mulher: Maria da Fé.
|
||
Relembra coroação da Virgem como rainha; aparição da
Virgem no local da Glória do Ribatejo;
|
Nome de mulher: Maria da Glória, "Glória".
|
|
Imagem encontrada por pescadores na praia de Cascais, Portugal, em
1362 e que
apareceu a Catarina Álvares, Paraguaçu, no século
XVI; Invocação da Virgem aleitando o Menino Jesus no local de Vale
da Pinta, Cartaxo;
|
Nome de mulher: Maria da Graça, "Graça".
|
|
Nossa Senhora das Graças ou da
Medalha Milagrosa
|
Relembra uma aparição feita a Catarina Labouré, em Paris;
|
Prenome feminino: Maria das Graças.
|
Prenome feminino: Maria Guadalupe, "Guadalupe",
Basílica de Nossa Senhora de
Guadalupe; Padroeira da América Latina e do México.
|
||
Relembra que a Virgem Maria guiou Jesus, na sua infância e
juventude; é chamada pelos ortodoxos de “Odegitria” (‘οδεγός);
|
Nome de mulher: Maria da Guia, confrarias.
|
|
Toponímicos; Tiradentes
foi enforcado no Largo na Lampadosa, no Rio de Janeiro;
|
||
Imagem escondida dos muçulmanos numa lapa, no século X,
pelas monjas beneditinas de Aguiar
da Beira, sendo encontrada em 1498, por uma menina, que muda de nascença, começou a falar;
|
Toponímicos;
|
|
Nossa Senhora do Leite ou da
Lactação
|
Relembra a Virgem nutrindo o Menino-Deus com seu leite
materno;
|
Célebre igreja de Belém.
|
Relembra a milenar devoção dos libaneses à Virgem Maria, e
também o santuário construído, entre 1904 e 1908, no cume Haruça, no Monte
Líbano, para honrar a Imaculada Conceição de Maria;
|
Paróquias célebres em São Paulo e no Rio de Janeiro.
|
|
Relembra o livramento do fidalgo português
Rodrigo Homem de Azevedo, preso pelo Duque
de Alba, no século XVI;
|
Toponímicos;
|
|
Ladainhas Loretanas (de Nossa Senhora).
|
||
Nome de mulher: Maria de Lourdes ou apenas "Lourdes".
|
||
Toponímicos; padroeira da Argentina.
|
||
Imagem encontrada por Pedro Martins, entre uma estranha
luz, que lhe apareceu em Carnide, Portugal;
Maria é lembrada como aquela que apresenta seu Filho Jesus como Luz
das Nações;
|
Confrarias; famoso convento de São Paulo.
|
|
Relembra Maria como a Theotokos,
"Mãe de Deus", cultuada desde os primeiros séculos e
confirmada pelo Primeiro Concílio de Éfeso;
|
Toponímicos; antigo nome de Porto
Alegre - RS.
|
|
Relembra a proclamação de Maria como Mãe de todo o povo
de Deus, pelo Papa Paulo VI, em 1964, durante o Concílio Vaticano II;
|
Toponímicos;
|
|
Confrarias;
|
||
Relembra que a vida de Maria foi uma sucessão de
maravilhas, das quais a maior foi a encarnação do Verbo. Isto atesta a
própria Virgem, no canto do Magnificat;
|
Toponímico e cânticos;
|
|
Desde os primeiros séculos do cristianismo, Maria é
invocada como protetora das viagens marítimas;
|
Confrarias;
|
|
Invocada em homenagem dos cristãos que tombaram no Cerco de Lisboa (1147);
|
Basílica de Nossa Senhora dos Mártires, em Lisboa.
|
|
Relembra o papel de intermediária entre o fiel e Jesus,
devoção que teve origem em Veneza, durante a grande epidemia de 1630;
|
Toponímicos;
|
|
Aparição em Međugorje
na Bósnia e Herzegovina;
|
Toponímicos;
|
|
Relembra a infância da Virgem, do nascimento aos três anos
junto a seus pais, São Joaquim e Santa Ana;
e dos três aos doze anos, no Templo de Jerusalém;
|
Cânticos;
|
|
Relembra a aparição a São Pedro Nolasco, no início do século
XII, solicitando a criação de uma Ordem destinada ao
resgate de cristãos feitos cativos pelos muçulmanos;
|
Ordem religiosa e confrarias;
|
|
Relembra os grande prodígios operados pela Mãe de Deus,
Onipotência suplicante e canal de todas as graças, a quem nada Deus recusa;
|
Confrarias;
|
|
Santas Casas de Misericórdia;
|
||
Relembra que a Virgem é um monte altíssimo, que vence a
altura de todos os outros montes, em santidade e virtude;
|
Célebres igrejas: na Ilha
da Madeira e em Olinda.
|
|
Relembra a imagem da Virgem levada a Barcelona,
Espanha,
nos primeiros séculos do cristianismo, sendo que durante a invasão árabe, os
cristãos esconderam a imagem na escarpada montanha de Montserrat. Mais tarde,
esta imagem foi milagrosamente encontrada e no local foi construída uma
grande abadia beneditina;
|
||
Célebre romaria;
|
||
Relembra o nascimento da virgem Maria, que, segundo a
tradição, foi num sábado, 8 de
setembro, do ano 20 a.C., na cidade de Jerusalém;
|
Confrarias e cânticos;
|
|
Maria é invocada como protetora dos navegantes, devoção
que teve seu auge durante as cruzadas e, depois, durante o período das
grandes navegações;
|
Confrarias;
|
|
Relembra a vida da Virgem Maria, em Nazaré, junto à sua sagrada família;
|
Toponímicos; Círio de Nazaré.
|
|
Refere-se a um milagre, anunciado pela Virgem Maria, de
que em pleno verão, na noite de 4
para 5
de agosto, nevaria em Roma, o que realmente aconteceu no local onde hoje se ergue a basílica de Santa Maria Maior;
|
Antigo nome de João
Pessoa, Paraíba.
|
|
Alusão à Nossa Senhora nas proximidades de seu parto.
Houve um sermão proferido pelo Padre Vieira, onde compara as virtudes de Maria à
"perfeição da letra o", símbolo da imortalidade e de Deus,
de quem Maria é mãe. Referências às sete antífonas do Ó, nas proximidades do Natal;
|
||
Confraria;
|
||
Recorda a proteção da Virgem Maria às mães que estão para
dar à luz;
|
Célebre recolhimento do Rio de Janeiro.
|
|
Relembra a intercessão da Virgem Maria junto a seu Filho,
em favor dos homens, como nas Bodas
de Caná;
|
Toponímicos;
|
|
Célebre mosteiro de Itapecerica da Serra.
|
||
Relembra a Virgem como inspiradora e padroeira das letras
e das artes;
|
||
Relembra o milagre realizado, no início do século XVII,
por intercessão da Virgem Maria invocada por Baltazar de Abreu Cardoso,
fazendeiro brasileiro,
que encontrou uma serpente ao subir um penhasco (penha) que levava à sua
fazenda no Rio de Janeiro;
|
Bairro do Rio de Janeiro; Santuário Perpétuo no Rio de Janeiro.
|
|
Relembra a aparição da Virgem Maria a Simão Vela, monge francês, na
serra chamada Penha de França, no
norte da Espanha;
|
||
Alusão ao dia de Pentecostes
quando Maria, juntamente com os Apóstolos,
ficou repleta do Espírito Santo, que veio sob a forma de línguas de fogo;
|
Fraternidade Jesus Salvador (Salvistas).
|
|
Relembra a Purificação da Virgem no Templo de Jerusalém, comemorada com uma
procissão luminosa;
|
Nome de mulher: Maria da Purificação.
|
|
Alusão à imagem de Nossa Senhora de Fátima;
|
Peregrinação da imagem pelos lares católicos.
|
|
Relembra a Virgem Maria como socorro dos cristãos, em suas
horas de necessidade.Refere-se a um quadro milagroso da ilha de Creta, que após
ser roubado, foi recuperado em Roma e posto, no século
XIX, sob a guarda dos padres redentoristas;
|
Confrarias;
|
|
Relembra que Jesus, após o descimento da Cruz, foi
entregue aos braços de sua Mãe Santíssima;
|
Prenome feminino: Maria da Piedade. Pietà: famosa escultura de Michelangelo.
|
|
Nome de mulher: “Maria do Pilar”. Célebres igrejas de Minas
Gerais.
|
||
Bairro antigo de São Paulo.
|
||
refere-se à comparação de Maria à ponte donde passamos da
terra para o céu;
|
Antigo nome de Sorocaba.
|
|
Refre-se à máxima que diz: Ninguém chega ao Pai, a não
ser por Jesus; e nimguém chega ao Filho, a não ser por Maria. Esta é uma
das invocações das Ladainhas Loretanas, considerando pois que o culto
da Mãe de Deus é a porta que leva os fiéis ao paraíso;
|
Ladainhas Loretanas;
|
|
Cidade do Porto.
|
||
Relembra a construção, pelo povo de Roma, da igreja de Santa Maria del Popolo, no local
onde se erguera o mausoléu dos Domícios,
família a qual pertencia o imperador Nero;
|
Forte de Nossa Senhora do Povo (Forte
do Mar), em Salvador.
|
|
Relembra os sete principais prazeres da vida da Virgem
Maria: a Anunciação, a saudação
de Santa Isabel, o nascimento de seu Filho,
a visita dos Reis Magos,
o encontro de Jesus no Templo, a primeira
aparição de Jesus ressuscitado, a sua coroação no céu;
|
||
Relembra a maternidade de Maria, na cena do presépio,
conforme a tradição franciscana;
|
Presépios natalinos.
|
|
Nossa Senhora sempre foi reconhecida pela Igreja Católica
como Rainha. É proclamada, pela Igreja, Rainha por doze vezes: Rainha dos
anjos, dos patriarcas, dos profetas, dos apóstolos, dos confessores, das
virgens, dos mártires, de todos os Santos, do Santíssimo Rosário, da paz,
concebida sem pecado original e levada aos céus;
|
Sua Festa é Celebrada aos 22 de Agosto.
|
|
Relembra que a Virgem Maria foi mãe, mestra e rainha dos
apóstolos, que lhe devotavam especial veneração;
|
Ladainhas Loretanas.
|
|
Relembra a coroação de Maria, após sua assunção aos céus;
|
Famosa antífona: Regina Cæl.
|
|
Relembra que Maria é rainha de todos os homens, portanto
digna de todos os louvores, por parte de todos;
|
Confrarias;
|
|
Imagem da Virgem Maria, padroeira do Movimento
Apostólico de Schoenstatt, e relembra a aliança de amor que o padre Joseph
Kentenich (1885 - 1968), selou pela primeira vez a 18
de Outubro de 1914,
em Schoenstatt,
Alemanha,
com a Virgem Maria;
|
||
Relembra a Virgem Maria como único remédio para todos os
nossos trabalhos, angústias, necessidades e doenças;
|
||
Imagem encontrada no mar, no final do século
XVII, por um pescador que vivia em Rocio, próximo a Paranaguá;
|
Padroeira do Paraná; e
da cidade de São Manoel do Paraná.
|
|
Relembra a aparição da Virgem a São Domingos de Gusmão, no
século
XIII, pedindo-lhe a divulgação do seu rosário
de orações;
|
||
Relembra que de Maria foi formado o coração divinal de Jesus;
|
Confraria;
|
|
nome de mulher; Salete.
|
||
Relembra a imensa saudade que a Virgem Maria teve de seu Filho,
nos três dias incompletos que seu corpo esteve no sepulcro;
|
Cemitérios da Saudade.
|
|
Relembra que a Virgem Maria é fonte de vigor físico e
moral para os homens; invocação na Quinta da Saúde, em Santarém,
pelas graças obtidas numa peste no séc. XVI pelo consumo de água de uma
nascente no local indicado;
|
Ladainhas Loretanas.
|
|
Relembra que a Virgem Maria sempre socorreu o povo de Roma, em todas as
suas situações de necessidade;
|
||
Nossa Senhora do Sion, do Sião
|
Congregação e Colégios do Sion.
|
|
Relembra a solidão, a tristeza e saudade da Virgem Maria,
por ocasião da paixão de seu Filho;
|
Topônimos;
|
|
Relembra a devoção de todo Trabalhador por Maria, por
nossa senhora aquela que sempre abençoa os trabalhos;
|
Sua Festa Celebra-se no dia do trabalhador 1 de maio.
|
|
Similar à invocação de Nossa Senhora do Rosário, mas
refere-se apenas a cinco mistérios da vida
de Jesus;
|
Rezas de Terço. Célebre igreja do Recife.
|
|
Invocação no local das Virtudes, em
Azambuja
relacionada com uma manifestação milagrosa de uma imagem aí encontrada. A
igreja, santuário e convento aí erguidos, assim como a expansão do culto,
levantaram-se por intermédio de Dom João I, assinalando a vitória na Conquista de Ceuta. Foi um dos primeiros santuários
marianos portugueses;
|
Toponímicos;
|
|
Relembra a visita
da Virgem Maria a sua prima Santa Isabel;
|
Congregação das visitandinas.
|
|
Relembra que a Virgem Maria, vitoriosa, pode levar os
cristãos à vitória em suas vidas. Em Portugal, foi introduzida a devoção por Dom João I, para comemorar a vitória na Batalha de Aljubarrota;
|
Nomes em ordem alfabética
Abadia
|
|
Aflitos
|
|
Ajuda
|
|
Almas
|
|
Amparo
|
|
Anjos
|
|
Assunção
|
|
Auxiliadora
|
|
Boa Esperança
|
|
Boa Hora
|
|
Boa Morte
|
|
Boa Sorte
|
|
Boa Viagem
|
|
Bom Conselho
|
|
Bom Descanso
|
|
Bom Retiro
|
|
Bom Sucesso
|
|
Candeias
|
|
Candelária
|
|
Caridade
|
|
Claridade
|
|
Divina Providência
|
|
Divina Providência
|
|
Dores
|
|
Encarnação
|
|
Glória
|
|
Graças
|
|
Guia
|
|
Imaculada Conceição
|
|
Lapa
|
|
Líbano
|
|
Livramento
|
|
Luz
|
|
Mãe de Deus
|
|
Mãe do Verbo Divino
|
|
Mãe dos Homens
|
|
Mãe dos Inocentes
|
|
Mãe Rainha
|
|
Medalha Milagrosa
|
|
Medianeira
|
|
Mercês
|
|
Misericórdia
|
|
Monte Serrat
|
|
Navegantes
|
|
Parto
|
|
Patrocínio
|
|
Paz
|
|
Piedade
|
|
Pilar
|
|
Pobres
|
|
Porto
|
|
Pureza
|
|
Rosa Mística
|
|
Sabedoria
|
|
Sagrado Coração
|
|
Saúde
|
|
Soledade
|
|
Viajantes
|
|
Virtude
|
|
Visitação
|
|
Vitória
|
entre dezenas de outros.
Magistério da Igreja Católica
São os seguintes, os principais documentos mariológicos da Igreja
promulgados nos últimos cento e cinquenta anos:
- Papa Leão XIII: Encíclicas Magnae Dei Matris, 1892, Adiutricem populi, 1895, Augustissimae Virginis Mariae, 1897.
- Papa Pio IX: Bula dogmática Ineffabilis Deus, de 8 de dezembro de 1854.
- Papa Pio X: Encíclia Ad diem illum laetissimum, 1904
- Papa Pio XI: Encíclica Lux veritatis, 1931.
- Papa Pio XII: Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, 1950, encíclicas Fulgens corona, 1953 e Ad Caeli Reginam, 1954.
- Concílio Vaticano II, Constituição Lumen Gentium, cap. VIII, 1964.
- Papa Paulo VI: Exortações Apostólicas Marialis cultus, 1974 e Signum magnum, 1967.
- Papa João Paulo II: Encíclica Redentoris Mater (1987), Exortação Apostólica Redentoris custos, 1989 e Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, (2002).
Devoções
Santo Rosário
Fazer peregrinações a santuários marianos e rezar o Rosário e a Ladainha de Nossa
Senhora é uma das práticas devocionais mais antigas católicas.
O Rosário é uma oração em honra da Santíssima Virgem Maria formado
tradicionalmente por três terços seguidos depois da ladainha. Esta prática tem
sido estimulada por vários papas ao longo dos tempos.[29]
As práticas devoções a Maria mais conhecidas incluem: as Sete Dores de Maria, o Santo Rosário e o Escapulário.[30]
[31] A orações dirigidas a Maria
mais conhecidas incluem: Ave Maria, Magnificat, Angelus, Memorare e Salve Rainha. Os meses de Maio e Outubro
são meses tradicionalmente marianos para os católicos romanos. O rosário diário
é incentivado em Outubro, e em Maio práticas devocionais tem o seu ápice em
muitas regiões.[32]
[33] [34] Papas emitiram uma série de
encíclicas e cartas
apostólicas
marianas para incentivar a devoção a veneração a Virgem Maria.
Ofício de
Nossa Senhora
Ladainha de
Nossa Senhora
Escapulário de
Nossa Senhora do Carmo
Congregação
Mariana
Medalha
Milagrosa
As Sete Dores de Maria
A historiografia de Maria colhe uma tradição fundada nos evangelhos que
venera as suas Sete Dores, são sete momentos da sua vida em que passou
por sofrimento humano notável:
- Primeira dor: a profecia de Simeão.
- Segunda dor: a fuga para o Egipto.
- Terceira dor: Jesus perdido no Templo.
- Quarta dor: Maria encontra o seu Filho com a cruz a caminho do Calvário.
- Quinta dor: Jesus morre na Cruz.
- Sexta dor: Jesus é descido da Cruz e entregue a sua Mãe.
- Sétima dor: o corpo de Jesus é sepultado.
As Sete Alegrias de Maria
As sete alegrias aparecem frequentemente na arte e literatura devocionais
da Idade
Média e são
geralmente[35] [36] :
- Anunciação
- Nascimento de Jesus
- Adoração dos Magos
- Ressurreição de Jesus
- Ascensão de Jesus
- Pentecostes (a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e Maria)
- Coroação da Virgem
[1]
As doutrinas podem ser propagadas de diversas maneiras, entre estas
destacam-se:
- A catequese, que representa um tipo de ensinamento religioso cristão, muito utilizado pela Igreja Católica, entre outras.
- O ensinamento dirigido, este podendo ser orientado para os mais diversos fins, desde religiosos até comerciais.
- A pregação, também uma forma de propagar as doutrinas religiosas.
- A opinião de autores, também considerada uma forma de doutrinamento no sentido de ensinamento.
- Texto de obras escritas, como regras, preceitos, normas, etc que norteiam determinada forma de ação.

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